Título: VARIG BUSCA SOLUÇÃO RÁPIDA E VAI A FURLAN E PALOCCI
Autor: Erica Ribeiro e Geralda Doca
Fonte: O Globo, 15/06/2005, Economia, p. 31
Conselho de Administração diz ter apoio do embaixador dos EUA para negociar com as empresas de leasing
RIO e BRASÍLIA. A Varig corre contra o tempo para acelerar seu processo de reestruturação e evitar a retomada de aviões por empresas de leasing ainda esta semana. Ontem, o presidente do Conselho de Administração da companhia, David Zylbersztajn, esteve com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, para explicar os planos para a Varig e ressaltar a importância da empresa para o país. O executivo também procurou o embaixador dos EUA no país, John Danilovich, de quem diz ter obtido o apoio para explicar às empresas de leasing, a maioria americanas, o processo de reestruturação em andamento.
Fontes do mercado e um alto dirigente da Varig afirmam que a americana International Lease Finance Corporation (ILFC) decidiu encerrar as negociações sobre dívidas em atraso e, com isso, a Varig teria que devolver 11 de seus 82 aviões (76 em operação).
- Garanto que nenhum avião sai da Varig sexta-feira. Nem um, nem dois, nem onze. Diariamente negociamos com a ILFC e outras empresas. É fax para lá, fax para cá, é quase uma gincana. Mas os aviões não serão retirados - garantiu Zylbersztajn.
Zylbersztajn negou que haja qualquer ruptura com a FRB
A gincana de Zylbersztajn em Brasília ontem incluiu uma visita ao Ministério da Fazenda, onde, segundo ele, foi "alinhavar" o encontro de hoje com o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci:
- Estamos tratando da renegociação com credores governamentais e a reunião também será para discutir este assunto - disse o executivo.
Zylbersztajn negou que haja qualquer tipo de ruptura entre o atual Conselho de Administração da Varig, do qual ele é o presidente, e a Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da empresa. As duas partes, diz ele, estão negociando um novo modelo de gestão, que prevê a redução do poder da Fundação no controle da empresa. Segundo o executivo, a proposta, que já está em mãos dos conselheiros da Varig e membros da FRB, tem como objetivo dar garantias a investidores e à própria Fundação que a reestruturação vai acontecer.
- A proposta nada mais é do que a versão tupiniquim do blind trust. A gestão já é de responsabilidade do Conselho de Administração.
Segundo o documento, a gestão ficará a cargo de uma nova empresa, que terá no mínimo seis assentos, divididos igualmente pelo atual Conselho e a Fundação. A nova empresa ficaria à frente da Varig até a conclusão da reestruturação e a entrada de um investidor, que pode ser a portuguesa TAP.
Em 2002, a FRB já havia anunciado que abriria mão do controle, o que nunca aconteceu de fato. Este, aliás, seria um dos motivos para que os credores estejam pressionando por uma solução concreta. Segundo analistas do setor, as empresas de aluguel de aviões não acreditam mais em planos idealizados por diferentes presidentes e conselheiros desde 2001: querem o pagamento das dívidas.
Credores pressionam por uma solução definitiva
Se não houver acordo até sexta-feira, a retomada dos 11 aviões será feita em etapas, com a retirada de quatro esta semana e um a cada semana seguinte. Oito desses aparelhos voam para o exterior: dois modelos 777 - os melhores aviões da Varig - que fazem a rota Porto Alegre-Guarulhos-Paris-Frankfurt e outros seis destinados aos países da América do Sul.
Além da ILFC, outras empresas de leasing - como a australiana Ansett e a também americana Gtax - estão pressionando para receber parcelas em atraso. Ao todo, a companhia deve a esses credores US$140 milhões.
Se a redução da frota for confirmada, a Varig pode ser obrigada a cancelar pelo menos um destino para o exterior e quatro domésticos. A retomada dos aviões vai provocar uma perda de R$20 milhões a R$25 milhões no caixa da Varig, conforme cálculos de um departamento da empresa. A Varig - que está encolhendo no mercado doméstico e fechou maio com participação de 26,87%, atrás da Gol - começaria a ser atingida em um dos pontos essenciais de suas operações: as rotas internacionais.
Legenda da foto: DAVID ZYLBERSZTAJN garante que nenhum avião será retomado da companhia aérea na sexta-feira