Título: Para oposição, Dirceu tentará dificultar a CPI
Autor: Maria Lima, Valderez Caetano e Adriana Vasconcelos
Fonte: O Globo, 17/06/2005, O País, p. 13

Partidos que se opõem ao governo Lula acham que saída do ministro é demonstração de culpa das acusações

BRASíLIA. O aviso de José Dirceu de que sabe lutar na planície foi entendido pela oposição como sinal de que ele volta à Câmara para dificultar as investigações na CPI dos Correios e no Conselho de Ética. Enquanto petistas e aliados do governo se solidarizavam com Dirceu, líderes da oposição consideraram a saída uma demonstração de culpa das acusações de envolvimento no caso de corrupção nos Correios e no mensalão.

- Se ele não tivesse envolvimento, teria sido poupado por Lula. Não o deixaremos dificultar as investigações - reagiu o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), integrante da CPI dos Correios.

- Foi uma tentativa de salvar as aparências. Vamos concentrar as forças para que não sabote as investigações - completou o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (BA).

Líderes da oposição dizem que se a saída de Dirceu tivesse acontecido com o escândalo Waldomiro Diniz, o governo teria sido poupado.

- Quando Dirceu estava fragilizado, todos os marginais e corruptos se solidarizaram e ele continuou. Agora apresentaram uma fatura alta demais - disse o deputado Jutahy Magalhães Neto (PSDB-BA).

- A demissão veio tarde - disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), poupou Dirceu:

- Sou tucano, não abutre. Espero que o presidente Lula agora faça a coisa certa.

Deputados petistas se solidarizam com Dirceu

O presidente nacional do PT, José Genoino, solidarizou-se com Dirceu:

- Quero manifestar meu respeito e minha admiração pelo companheiro José Dirceu.

No Senado, a bancada do PT manifestou apoio a Dirceu antes mesmo do anúncio da saída. O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu o companheiro:

- Dirceu volta ao Parlamento para defender sua honra, o PT e o governo. Foi um gesto de humildade e grandeza política.

O líder do PT e presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (MS), aposta no fortalecimento da ação do governo na Câmara:

- Foi uma atitude de despojamento e desapego.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que não se importa se Dirceu quiser a liderança. Mas acha que ele prefere ficar livre para os embates que terá pela frente. E fez brincadeira sobre a possibilidade de Dirceu compor a CPI:

- Não acho necessário, mas pode ser uma boa idéia.

O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), disse que será uma perda, mas admitiu que a situação era insustentável:

- É um gesto de colaboração com o governo Lula. Ele estava fragilizado. Sua demissão demonstra, de certa forma, isenção em relação às acusações.