Título: CORREIOS: FORTUNA DIZ QUE CASA CIVIL ENVOLVEU ABIN
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Fonte: O Globo, 17/06/2005, O País, p. 14

Ex-agente do SNI conta que funcionário da Agência pediu dados sobre multinacional

BRASÍLIA. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) José Fortuna Neves acusou ontem a Casa Civil de ser responsável pela participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no caso dos Correios. Fortuna disse que um funcionário da Abin o procurou nos últimos meses pedindo informações sobre a multinacional Unisys. Esse agente teria relatado que haveria uma ordem da Casa Civil para retirar a empresa de contratos já firmados com o Ministério da Previdência e os Correios.

O delegado Luis Flávio Zampronha, responsável pelo caso, disse que é nova a informação de que o agente pudesse ter agido a mando da Casa Civil, mas assegurou que a investigação vai se concentrar nos contratos e licitações dos Correios e não na origem da gravação da fita em que aparece o ex-chefe de Contratação da estatal Maurício Marinho aparece recebendo propina. O empresário Artur Wascheck Neto já admitiu ser o mandante da gravação.

Fortuna, preso por envolvimento na gravação, foi liberado ontem. Em seu depoimento, disse ter sido procurado entre o fim de 2004 e o começo deste ano pelo agente da Abin Edgar Lange, o Alemão, seu colega do SNI. Alemão teria feito perguntas sobre a Unisys, já que Fortuna intermediava a participação de empresas em licitações.

"Alemão falou que estava fazendo levantamentos a respeito de tal empresa (Unisys), pois havia uma determinação da Casa Civil da Presidência de retirar a Unisys dos contratos com o governo, a Previdência e os Correios", depôs Fortuna.

A Polícia Federal vai submeter à perícia a maleta usada nas gravações, para saber qual a origem do equipamento, considerado de alta qualidade.

Comissão do Senado vai investigar ação da Abin

No Senado, a Comissão Especial de Fiscalização da Abin vai investigar a ação do órgão no caso dos Correios. O corregedor, Romeu Tuma (PFL-SP), anunciou que a comissão aprovou ofícios convocando o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, e o diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva. Eles devem explicar como a agência tomou conhecimento de fraudes nos Correios.