Título: MERCADO RETOMA O FÔLEGO: BOLSA SOBE E DÓLAR CAI
Autor: Carlos Vasconcellos
Fonte: O Globo, 17/06/2005, Economia, p. 27
Investidores vêem alívio na crise política em torno do Planalto
SÃO PAULO. O mercado financeiro brasileiro teve ontem seu melhor dia desde a intensificação da crise política, na semana passada. A expectativa de uma reforma ministerial e de mudanças na política fiscal devolveu o bom humor aos investidores. O anúncio do fim do ciclo de alta dos juros básicos ( Selic) foi outro destaque positivo do dia que sucedeu a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Após nove meses seguidos de elevações, o comitê manteve inalterada a taxa na quarta-feira (a 19,75% ao ano).
Diante desse quadro, o dólar fechou a R$2,406, na mínima do dia, com queda de 1,19%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 1,06% e movimentou R$1,451 bilhão. O risco-país recuou 1,67%, aos 411 pontos centesimais.
- O cenário político foi mais importante para o mercado, já que a decisão sobre os juros ficou dentro do esperado. Aumentou a sensação de que o governo vai conseguir contornar a crise política - disse Shiguemi Fujisaki, gerente de câmbio da corretora Socopa.
Saída de José Dirceu agradou aos investidores
Na já esperada reforma ministerial, o que mais agradava ao mercado ontem era a possibilidade de saída do ministro José Dirceu (Casa Civil), confirmada após o encerramento dos negócios. Dirceu foi o mais atacado pelas denúncias do deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB.
Os investidores também reagiram bem ao fato de a ex-secretária do publicitário Marcos Valério de Souza, Fernanda Karina Ramos Somaggio, ter desmentido declarações sobre suposto esquema de pagamentos a deputados feitos pelo empresário.
- A manutenção dos juros é positiva para a bolsa, mas era mais que esperada. A melhora das perspectivas com o cenário político acabou sendo uma novidade maior - avaliou Luiz Roberto Monteiro, consultor de investimentos da corretora Souza Barros.