Título: IGP-10 REGISTRA DEFLAÇÃO DE 0,41% EM JUNHO
Autor: Carlos Vasconcellos
Fonte: O Globo, 17/06/2005, Economia, p. 27

Queda de preços no atacado começa a chegar ao consumidor e derruba índice geral de preços. IPA foi de -1,10%

O Índice Geral de Preços 10 (IGP-10), que em maio tinha sido zero, ficou em -0,41% entre os dias 11 de maio e 10 de junho. O índice é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o principal motivo da queda foi a deflação acentuada dos preços no atacado. O Índice de Preços por Atacado (IPA, que compõe o IGP-10, com peso de 60%) ficou em -1,10% no período, contra -0,43% de maio. O ritmo de reajustes no varejo também começou a diminuir. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC, com peso de 30% na taxa geral), que em maio havia sido de 0,93%, caiu para 0,51%.

Segundo o economista Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, a queda do IGP-10 era esperada, pois a deflação no atacado vinha se generalizando:

- Isso aconteceu em matérias-primas industriais, insumos industriais e bens de consumo duráveis - observou.

Quadros acrescentou, no entanto, que o recuo do índice geral não se explica inteiramente pela transmissão da queda de preços no atacado. Segundo ele, a ausência de reajustes fortes de tarifas também serviu para frear a inflação no período.

- O efeito dos últimos reajustes de transporte nas grandes cidades, por exemplo, já se dissipou. Esse grupo teve deflação de 0,05% - disse.

O economista acrescentou que a tendência é de que a queda no atacado continue sendo repassada para o varejo.

- Assim, a redução da inflação deve se intensificar, ao menos no primeiro momento, já que passamos por um período de trégua nas tarifas.

A inflação no grupo alimentos foi de 0,41% e de 0,60% na habitação. Já o INCC, que mede os custos de construção e é o terceiro índice que compõe o IGP, com peso de 10%, ficou em 2,21%, contra 0,64% em maio.