Título: A voz de Dirceu
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 19/06/2005, O País, p. 14

"O país não pode ser posto contra a parede por aqueles que desejam impedir o povo brasileiro de tomar decisões soberanas a respeito de seu futuro" - agosto de 2002, durante as eleições presidenciais, falando sobre as restrições aos acordos com o FMI

"Vivemos cinco meses de um misto de felicidade e angústia. Tenho procurado ser franco sobre as medidas do governo e elas não realizam, neste momento, nosso objetivo. Um governo que faz um superávit de 4,25%, que mantém uma taxa de juros de 26,5% e que está obrigado às restrições a que nós estamos, evidentemente está desestimulando e segurando a atividade econômica. Não vamos dourar a pílula porque a queda que existe no país da atividade econômica é visível e seria ridículo se nós disséssemos o contrário" - maio de 2003, em seminário do PT sobre a reforma da Previdência, antes de ser informado sobre a presença de jornalistas

"Se não demos um cavalo-de-pau no país, nós demos um cavalo-de-pau na economia, porque com juros de 26,5% e superávit de 4,25%, com um contingenciamento de R$14 bilhões, evidentemente que as conseqüências aparecem imediatamente. É só conversar com os ministros das Cidades, da Integração Nacional ou com o ministro dos Transporte" - no mesmo seminário

"Nós vamos blindar o Palocci. Não vamos admitir críticas públicas a seu trabalho, que está no caminho certo" - agosto de 2003

"Eu falei o que eu pensava. Mas isso não estremeceu minhas relações com o Palocci. Aliás, essas opiniões, em geral, ele já conhecia. A diferença é que eu falei na frente de outras pessoas" - dezembro de 2004

"O PT não só apóia como reivindica a política econômica. Significa estabilidade e combate à inflação. Dentro das possibilidades do país, permite investimentos em infra-estrutura e no social. Temos de ter sabedoria para manter a unidade do governo. O partido precisa ter consciência dos problemas do país" - abril de 2005, afirmando que o governo está cumprindo os compromissos assumidos com a sociedade

"Se deixarem, (os membros da equipe econômica) fazem o superávit primário de 7%, juros de 20%. Isso é uma disputa política. Não falar isso é faltar com a verdade para a sociedade" - junho de 2005, em almoço no Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais de Lisboa, onde fez palestra

"Vamos crescer a 4% ou 5% neste ano. Corremos o risco de crescer um pouco menos porque a autoridade monetária, o Banco Central, é no Brasil muito autônomo. Quer alcançar uma meta de superávit de 5%" - no mesmo almoço