Título: Ex-chefe dos Correios tentou apagar informações
Autor: Bernardo de la Peña
Fonte: O Globo, 21/06/2005, O País, p. 11
Polícia Federal investiga se Maurício Marinho conseguiu excluir arquivos dos computadores que usava na estatal
BRASÍLIA. Em seu depoimento hoje na CPI dos Correios, o ex-chefe do Departamento de Compras e Contratações da estatal Maurício Marinho vai ter de explicar aos parlamentares da comissão uma manobra, investigada pela Polícia Federal, para apagar arquivos dos computadores que usava no trabalho. A PF investigou o assunto, mas não há garantia de que os arquivos não tenham sido apagados.
Flagrado num vídeo no qual recebe R$3 mil e conta participar de um suposto esquema de arrecadação de dinheiro para o PTB, Marinho é a primeira testemunha a ser ouvida na CPI. Parte da investigação feita pela PF foi entregue na sexta-feira à comissão.
A Polícia Federal começou a investigar a suspeita de que os arquivos do computador de Marinho foram apagados no dia 24 de maio. Segundo depoimento prestado por Amaury José Valença de Melo, um funcionário dos Correios, Eduardo Rodrigues, procurou a Inspetoria Geral da estatal no dia 17 de maio para informar que havia sido convocado pela chefe da Divisão de Materiais do departamento que era chefiado por Marinho, Elizabeth Mady, e pela assistente de compras Fátima dos Santos, para eliminar os arquivos de um computador que era usado por Marinho.
Depois de receber a informação, Melo e um dos integrantes da comissão de sindicância dos Correios, Afrânio dos Reis, foram ao departamento e apreenderam o computador. Ainda assim, Rodrigues contou aos integrantes da comissão ter visto outro funcionário dos Correios, chamado Anderson, mexendo no computador depois que ele se negou a apagar os arquivos. À PF, Elizabeth e Fátima disseram que se tratava de uma questão operacional e que Fátima usava o computador que havia sido de Marinho e precisava limpar a memória. Fátima admitiu ter excluído e-mails, mas disse que quando soube que eles poderiam ir para outra pasta do computador pediu ajuda a Rodrigues.
PF indicia Marinho e Godoy; Antônio Osório foi ouvido
Marinho e o ex-assessor executivo da direção dos Correios Fernando Leite Godoy foram indiciados no inquérito instaurado pela PF para apurar o suposto esquema que funcionava na estatal. Godoy foi indiciado por corrupção passiva depois do desaparecimento de sua agenda nos Correios. O ex-diretor de administração Antonio Osório Batista, citado por Marinho como um dos integrantes do esquema petebista, foi ouvido mas não indiciado.
Em depoimentos à PF, as secretárias Vanda Pereira do Nascimento e Cibele Augusta de Souza, que trabalhavam para Batista e Godoy, informaram que o assessor costumava receber telefonemas de deputados. Segundo Vanda, Godoy mantinha contatos com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, com políticos do partido e do PMDB. As agendas que registravam os contatos e encontros, entretanto, desapareceram.
Legenda da foto: MARINHO: o ex-chefe de departamento dos Correios vai depor hoje na CPI