Título: TAP SUSPENDE POR 180 DIAS COMPRA DE 20% DE PARTICIPAÇÃO NA VARIG
Autor: Geralda Doca e Ramona Ordoñez
Fonte: O Globo, 21/06/2005, Economia, p. 23

Grupo português vai esperar até que empresa brasileira negocie com credores BRASÍLIA e RIO. A companhia aérea portuguesa TAP suspendeu por pelo menos 180 dias a compra de 20% do capital da Varig, até que a empresa brasileira finalize o processo de recuperação judicial. A notícia foi confirmada pelo vice-presidente do Conselho de Administração da Varig, Omar Carneiro Cunha. Em comunicado aos funcionários, a TAP disse ontem que continua interessada em uma "profunda parceria" com a Varig. O presidente do grupo português, Fernando Pinto, afirmou no comunicado que a empresa aguarda apenas o andamento do processo judicial, depois que a empresa brasileira recorreu à Lei de Recuperação de Empresas (a nova Lei de Falências). Pinto, que já presidiu a Varig, disse ainda ao jornal português "Diário Econômico" que se trata de um processo interno da Varig do qual a TAP não pode participar até que sejam finalizadas as negociações com os credores. Segundo o advogado Fabiano Robalinho, do escritório Sérgio Bermudes - que ajudou na elaboração do pedido de recuperação judicial - a TAP será convidada a participar da reestruturação quando o processo for aprovado pelos credores. Ontem, o juiz Alexander dos Santos Macedo, da 8ª Vara Empresarial do Rio, nomeou o perito contábil e o administrador judicial para a Varig. É a primeira etapa formal para uma possível concessão da recuperação judicial pedida pela Varig na sexta-feira. A Exato Assessoria Contábil, nomeada para fazer a perícia, tem 24 horas para confirmar se a Varig cumpriu os requisitos para obter a recuperação na Justiça. O administrador judicial será o escritório Cysneiros Vianna Advogados Associados. Presidente da FRB renuncia ao cargo Ontem, o presidente da Fundação Ruben Berta (FRB), Ernesto Miguel Fazolin Zanata, renunciou ao cargo na controladora da Varig. Assume em seu lugar o vice-presidente, Osvaldo Cesar Curi de Souza. Segundo a FRB, Zanata deixou o cargo por motivos pessoais. A Varig pediu a recuperação judicial na sexta-feira, para conseguir um prazo para reorganizar a empresa. Na ocasião, a companhia também obteve uma liminar para evitar que empresas de leasing retomassem aeronaves por falta de pagamento. Pela lei, a Varig terá 180 dias de proteção judicial e 60 dias para apresentar um plano de reestruturação. Suas dívidas com o INSS e a Receita Federal giram em torno de R$3,3 bilhões e são empecilhos à adoção desta solução, pois a nova lei deixou esses credores de fora. Para levar o plano adiante, a Varig terá que regularizar sua situação junto ao Fisco e à Previdência.