Título: PSDB NEGA CAIXA DOIS NA CAMPANHA DE 94
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 22/06/2005, O País, p. 13

'As contas foram aprovadas', diz Jereissati

BRASÍLIA. O PSDB negou ontem a existência de um caixa dois na campanha eleitoral do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 ao rebater as declarações do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), feitas em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, anteontem.

Jefferson disse que o ex-banqueiro, ex-senador e ex-presidente do PTB José Eduardo Andrade Vieira contribuiu para a campanha presidencial "por fora", ou seja, sem prestar contas à Justiça Eleitoral. Para tucanos, trazer um assunto de 11 anos atrás à tona é uma tentativa de mascarar as denúncias de corrupção no governo Lula.

- Todos sabem que Andrade Vieira ajudou a campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele cedeu inclusive um imóvel para o comitê. Mas as contas eleitorais de Fernando Henrique foram apresentadas à Justiça e aprovadas - afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), também rejeitou qualquer comparação entre a campanha de Fernando Henrique e a situação atual. Segundo ele, no primeiro caso tratava-se de um ex-ministro (da Fazenda) recebendo doações de um homem rico, sem uso do dinheiro público. O líder afirmou não saber se houve ou não caixa dois na campanha de 1994, mas admitiu que esta é uma prática no país:

- Há um sistema torto. É um desafio fazer campanha vitoriosa sem caixa dois.

Para o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), a entrevista do deputado mostrou as conexões entre o governo e os acertos fechados pela direção do PT.

- Se era Dirceu quem batia o martelo sobre as negociações feitas na sede do PT, é preciso esclarecer se o presidente sabia ou não - afirmou Agripino.

Apesar das suspeitas, Agripino disse que a oposição não vai pregar o impeachment do presidente:

- Não somos bobos. Falar em impeachment é favorecer Lula. Vamos em fogo brando para que ele chegue ao fim do mandato com 15% de popularidade.