Título: Primeiro passo
Autor:
Fonte: O Globo, 23/06/2005, Opinião, p. 6
Um projeto promissor, que está para começar a ser executado em São Paulo, pode constituir um bom modelo a ser imitado na gestão da saúde pública de outras regiões metropolitanas. Na capital paulista, como no Rio de Janeiro, são constantes as imensas filas nos setores de emergência dos hospitais, na maioria formadas por pacientes que não precisam de tratamento urgente. Em conseqüência, os que estão de fato em condições críticas são atendidos com demora e por médicos sobrecarregados.
O que a prefeitura paulista pretende pôr em prática é um sistema pelo qual unidades de apoio, administradas por organizações privadas sem fins lucrativos, em parceria com o poder público, funcionarão como intermediárias entre esses prontos-socorros e os hospitais com sua estrutura mais complexa, que devem ficar voltados para os casos de tratamento mais prolongado. Com o nome de Unidades de Apoio e Retaguarda de Saúde, esses postos devem desafogar significativamente o atendimento geral.
Esta não é uma solução mágica para os problemas da rede pública, que no Rio atingem especial gravidade, com a superposição da atuação das três instâncias do poder público - além do mais, em freqüente disputa - questão que se refletiu na municipalização de hospitais, intervenção federal e posterior devolução dos estabelecimentos à prefeitura, sem afastar o risco de crises.
Mas essa medida, justamente por não ser apresentada como uma dessas soluções simples, definitivas - e equivocadas - para questões complexas, pode ser um valioso primeiro passo para a melhoria do sistema de saúde.