Título: CÂMBIO FAZ HOTÉIS REAJUSTAREM PREÇO DA DIÁRIA EM DÓLAR EM 15% EM JULHO
Autor: Vagner Ricardo
Fonte: O Globo, 23/06/2005, Economia, p. 26

Alta é exclusiva para operadoras que trabalham com turistas estrangeiros

Os hotéis deverão aumentar os preços das diárias cobradas das operadoras internacionais de turismo de negócios em até 15% em dólar. A correção valerá para os contratos firmados a partir de 1º de julho. Pela primeira vez o chamado preço net, o mais baixo do mercado e válido apenas para operadoras de turismo receptivo, é atualizado em dólar. Este preço é, em média, pelo menos 30% menor que o valor da diária mostrado nos balcões dos hotéis.

O Brasil foi o 14º principal destino do turismo de negócios em 2004, com 106 eventos, de acordo com a International Congress and Convention Association. E, segundo a Embratur, o Rio é a cidade que mais atrai esse tipo de turista, com 34 eventos no ano passado.

Há pelo menos 90 dias, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) vinha negociando a correção de preços com a Associação Brasileira de Turismo Receptivo (Bito, em inglês), a entidade que congrega as operadoras e agências especializadas em atrair turistas estrangeiros para o país.

- Tínhamos esperança de que o dólar reagisse nesse período, mas, além da frustração com o dólar, os custos operacionais cresceram, exigindo o reajuste- disse Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ.

Nas conversas, algumas redes de hotéis sugeriram correção acima de 20% no preço da diária em dólar ou a troca para o euro como indexador dos novos contratos. Mas a associação de turismo receptivo advertiu que um reajuste acima de 15% poderia afetar o fluxo de visitantes estrangeiros.

- Recomendamos que o aumento variasse de 10% a 15% para não assustar as agências estrangeiras. E o mais provável é que boa parte das redes hoteleiras não aplique a correção integral de 15%- disse o presidente da associação, Roberto Dultra, reconhecendo que a queda do dólar em 12 meses - de 24% até ontem - estava minguando os ganhos em reais tanto de hotéis quanto de operadoras.

O diretor-executivo do Rio Convention&Visitors Bureau, Paulo Senise, acha que o bom senso prevalecerá:

- O mercado é flexível e sempre sabe se entender. E os repasses não devem afetar o ritmo de captação de negócios, porque, na média, devem ficar na faixa de 10%, algo suportável.

Até agora, o Rio Convention confirmou 128 eventos técnicos e científicos na cidade, dos quais 41 são internacionais. Esse número já é praticamente igual ao do ano passado, de 43 internacionais em um total de 174. A meta é ultrapassar os números de 2004, a partir do segundo semestre. O turista de negócios tem gasto diário de US$240 na cidade.

Alguns hotéis, como o Copacabana Palace, no Rio, e a Costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia, nem esperaram o término das negociações para subir os preços. O gerente do Copacabana Palace, Philip Carruthers, confirmou que as diárias das operadoras especializadas em turismo internacional oriundo da União Européia foram corrigidas entre 12% e 15% para suportar a desvalorização cambial. No caso das operadoras com foco no mercado americano, não houve avanços.

- As negociações são caso a caso, mas foram mais fáceis com operadores que trazem turistas da União Européia porque lá o euro subiu perante o dólar. No mercado americano, as negociações estão mais difíceis, porque eles não têm idéia do recuo do dólar.

No caso da Costa do Sauípe, as diárias médias subiram 21% em janeiro.

INCLUI QUADRO: O DESEMPENHO DO SETOR