Título: PREVIDÊNCIA NÃO CUMPRE A META PARA DÉFICIT DO INSS
Autor: Geraldo Doca
Fonte: O Globo, 24/06/2005, Economia, p. 27

Em maio, rombo subiu 15,6% e atingiu R$2,343 bilhões BRASÍLIA. O Ministério da Previdência não conseguiu cumprir a meta de maio para o déficit do INSS - o objetivo eram R$2,063 bilhões - e encerrou o mês com rombo de R$2,343 bilhões. No mês passado, o governo teve uma arrecadação líquida de R$8,187 bilhões, mas gastou R$10,530 bilhões com o pagamento de benefícios. Na comparação com abril, o desequilíbrio do regime de aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada cresceu 15,6%, e entre janeiro e maio já atingiu R$13,15 bilhões, um aumento de 13,8% na comparação com igual período do ano passado. Neste ano, estima-se que o déficit da Previdência possa alcançar R$40 bilhões, embora o governo tenha adotado metas mensais para derrubar o valor para cerca de R$32 bilhões. De acordo com o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, o déficit do INSS subiu em maio porque o governo perdeu mais ações na Justiça e fez um volume maior de repasses ao Sistema "S". Houve uma queda de 37,9% na recuperação de créditos na Justiça, de R$754,2 milhões em abril para R$468,4 milhões em maio, e a transferência a terceiros subiu 130,9%, totalizando R$566,2 milhões. - Mas acho que podemos recuperar nos próximos meses - disse o secretário. Gasto com auxílio-doença deve começa a cair O resultado teria sido pior se não fosse uma redução de 37,7% no valor pago aos aposentados e pensionistas devido a sentenças judiciais, sobretudo na correção de benefícios pelo salário-mínimo. O gasto caiu de R$236,4 milhões para R$147,3 milhões. De acordo com a Previdência, a arrecadação nas áreas rurais atingiu R$333 milhões em maio, mantendo o ritmo verificado no ano passado. Isso mostra que os problemas ocorridos no campo, como a estiagem no Sul, não prejudicaram as receitas previdenciárias. As regiões urbanas geraram para o caixa do INSS R$7,855 bilhões. Em maio, o governo pagou 23,430 milhões de benefícios. Segundo o secretário, as novas regras para limitar o auxílio-doença começarão a surtir efeito nos próximos meses. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou que a evolução do déficit da Previdência Social constrange o Orçamento e gera incertezas para os aposentados, que não têm garantia de que vão continuar recebendo seus benefícios. Por isso, segundo ele, os ministérios estão trabalhando para ajudar a Previdência a combater irregularidades e reduzir o déficit. - No dia em que botarmos para baixo essa curva (de déficit), vamos ter avanços no campo social e econômico.