Título: DESEMPREGO RECUA MAS RENDA TAMBÉM ENCOLHE
Autor: Vagner Ricardo
Fonte: O Globo, 24/06/2005, Economia, p. 25

Pesquisa do IBGE aponta queda na taxa para 10,2% em maio, mas salários perderam 1,5% no mês sobre abril A taxa de desemprego caiu de 10,8% - patamar em que ficou por dois meses consecutivos - para 10,2% em maio, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE. Apesar disso, a renda média dos trabalhadores caiu 1,5% em relação a abril e permaneceu estável na comparação com maio de 2004. - Os dados mostraram resultados mais favoráveis em maio, confirmando uma reação que era prevista desde abril. Embora seja um movimento esperado e apesar das incertezas econômicas, constata-se que em maio houve também aumento na qualidade do emprego- disse Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa. A população ocupada, estimada em 19,8 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, aumentou 1,2% de abril para maio (242 mil pessoas) ou 3,8% perante o mesmo mês do ano passado (719 mil.). E o emprego com carteira assinada cresceu ainda mais: 1,8% sobre abril de 2005 (a maior variação sobre o mês anterior desde agosto de 2002) ou 7,1% sobre maio do ano passado (recorde na série histórica). IBGE prevê trajetória de queda no desemprego Para Cimar Azeredo, embora o quadro político e o cenário econômico aumentem a incerteza dos investidores, é possível que a taxa de desemprego possa cair para um dígito em junho. Para ele, existe um movimento de contratações sazonais, de olho no desempenho da economia no segundo semestre. À primeira vista, apenas o rendimento médio real do trabalhador mostra-se mais alinhado com a desaceleração da economia deste ano, disse o economista João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ. Segundo o IBGE, o rendimento caiu 1,5% na virada de abril para maio (de R$932,80) - a segunda consecutiva- mas ficou praticamente estável comparando-se ao mesmo mês do ano passado (R$932,34). - É sabido que o mercado de trabalho reage com algum atraso à conjuntura econômica. A grande questão é saber quando a desaceleração mostrada por diversos índices terá repercussão efetiva no mercado de trabalho. Por ora, o único dado ruim é a renda estagnada- assinalou Saboia. Azeredo, do IBGE, explicou que a queda no rendimento foi puxada por perdas nos salários dos servidores públicos, combinada com efeitos da alta da inflação corroendo a renda dos trabalhadores por conta-própria e empregadores. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 7,6%. Porém, o rendimento dos trabalhadores da iniciativa privada foi preservado. O economista do Ipea, Marcelo de Ávila avaliou positivamente os números do emprego do IBGE: - O aumento da população ocupada em maio foi muito vigoroso; a criação de empregos formais, comparando-se ao mesmo do ano anterior, continua a dar saltos e, ao mesmo tempo, houve redução do contingente de desempregados em maio - comentou Ávila, considerando os dados do mês mais efetivos que os resultados de anos anteriores. Em maio deste ano, a população desempregada, estimada em 2,2 milhões, caiu 5,1% diante de abril de 2005 e 15,6% sobre o mesmo mês do ano anterior. Por atividade, a indústria foi o setor que mais puxou a reação do emprego. As vagas nas indústrias, notadamente em São Paulo, cresceram 3% em maio sobre o mês anterior. - A taxa de desemprego caiu mais fortemente em São Paulo (de 11,4%, em abril, para 10,5% em maio), mas existe uma melhora global do mercado de trabalho - disse Azeredo. Além da indústria, todos os setores pesquisados tiveram resultado positivo sobre o mesmo mês de 2004. inclui quadro: como evoluiu a taxa