Título: PENA DE MORTE: 5.476 EXECUTADOS NO ANO PASSADO
Autor:
Fonte: O Globo, 25/06/2005, O Mundo, p. 35
China lidera lista com mais de cinco mil mortes, diz ONG
ROMA. Em 2004 foram executadas 5.476 pessoas, denunciou em Roma a organização não-governamental Hands off Cain, que luta pelo fim da pena de morte. Apesar de uma leve redução em relação a 2003, quando houve 5.607 execuções, países como China, Irã e Estados Unidos continuam aplicando a pena de morte.
A maior parte das execuções ocorreu na China, com mais de 5 mil mortos. Segundo o Congresso Nacional do Povo (parlamento), dez mil pessoas foram sentenciadas à morte no ano passado. Depois da China vem o Irã, com 197 execuções, e o Vietnã, com 115. Embora nestes dois últimos países o número seja muito inferior ao registrado em território chinês, a proporção em relação ao número de habitantes é quase a mesma.
Na África, foram nove as execuções aplicadas (Egito, Sudão e Somália), enquanto a Europa registrou cinco (todas na Bielorrússia). Nas Américas, somente os Estados Unidos executaram condenados: 59, seis a menos do que em 2003.
A organização, no entanto, admite que os números podem ser maiores porque muitos países não divulgam dados sobre execuções.
O estudo destaca que 58 países continuam a adotar a pena de morte, contra 61 em 2003 e 62 em 2002 ¿ num lento processo para a abolição da pena no mundo.
Métodos incluem injeção letal e crucificação
Hands Off Cain (algo como Que Ninguém Toque Caim) é uma organização internacional sem fins lucrativos. Formada por cidadãos e parlamentares, ela surgiu em Bruxelas em 1993 e se espalhou pela Europa.
Seu nome é uma referência ao personagem bíblico Caim, filho de Adão e que matou o próprio irmão: ¿O Senhor pôs um sinal em Caim para que quem o encontrasse não o atacasse¿, diz um trecho da Bíblia citado na homepage da ONG. Segundo a organização, sua luta é a favor da justiça e não da vingança.
Além do relatório anual, a organização concedeu o prêmio Abolicionista do Ano ao presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, por seu compromisso em acabar com a pena de morte no país, que finalmente foi abolida pela Assembléia Nacional no ano passado.
Segundo o informe, as acusações mais comuns que levam à condenação à morte estão relacionadas a tráfico de drogas, terrorismo e prática de religiões não autorizadas, sobretudo ¿em países ditatoriais, autoritários e não liberais¿, informou Elisabetta Zamparutti, responsável pelo relatório. Os meios de execução vão de injeções letais a crucificação, amputação e tortura (315 casos no ano passado), principalmente em países de religiões fundamentalistas.