Título: GUSHIKEN VÊ EQUÍVOCO NAS CRÍTICAS
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 28/06/2005, O País, p. 9

Ministro afirma que `criminalização da publicidade¿ é prejudicial ao país BRASÍLIA. O ministro de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, condenou o que chama de tentativa de criminalizar a indústria da publicidade a partir de denúncias de corrupção envolvendo o publicitário mineiro Marcos Valério, sócio das agências SMP&B e DNA. Falando pela primeira vez sobre o assunto, o ministro disse que, pela lei brasileira, as agências são responsáveis pelo plano de mídia dos anunciantes e seus ganhos estão previstos legalmente. Responsável pela publicidade institucional do governo, o ministro informou que, de acordo com dados do subsecretário de Publicidade da Secom, Caio Barsotti, entre 75% a 85% dos gastos em publicidade do governo se referem ao pagamento pela veiculação dos anúncios (feito a emissoras de televisão e rádio, jornais e revistas, além de gastos com outdoors, internet e outros meios), e não a agências. ¿ Se for verdadeiro que o Marcos Valério é um operador de caixinhas para campanha eleitoral, ele não opera com o dinheiro dos contratos de publicidade. A menos, é claro, que os veículos de comunicação do Brasil participem de algum esquema para locupletar políticos ¿ disse Gushiken. Gushiken disse que conhece Marcos Valério como conheceu outros donos de agências e publicitários, e que não tem qualquer relação com ele. Em defesa da área de publicidade, Gushiken explicou que pelo sistema brasileiro as agências funcionam como intermediárias recebendo percentuais do que é gasto com impressão gráfica, produção de comerciais impressos, em vídeo ou áudio e pela veiculação na mídia, que garante uma remuneração de 15% do custo da exibição do comercial. ¿ Este sistema garante um mercado cativo para as agências do Brasil. E o seu enfraquecimento institucional pode favorecer o lobby de empresas e agências multinacionais que defendem a adoção do sistema do birô de mídia, que compraria tempo e espaço nos próprios veículos, que depois seriam comercializados no mercado anunciante ¿ diz Gushiken.