Título: Maioria dos membros da CPI declarou gasto acimada média de Jefferson
Autor: Toni Marques
Fonte: O Globo, 03/07/2005, O País, p. 4

Apesar disso, não reagiram à intimidação do petebista Dos 23 parlamentares da CPI dos Correios que foram eleitos em 2002, apenas três declararam oficialmente à Justiça Eleitoral valor aproximado ao que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse serem os custos reais de campanhas para o Senado e a Câmara ¿ entre R$2 milhões e R$3 milhões para senador e R$1 milhão para deputado. Dezoito, porém, declararam terem gasto valores acima das médias também mencionadas por Roberto Jefferson ¿ R$250 mil para o Senado e R$100 mil para a Câmara. Números que, se não mentem, não explicam por que os integrantes da CPI não reagiram à tentativa de intimidação do deputado, acusado de montar caixa dois em estatais. ¿ As declarações à Justiça Eleitoral não traduzem a realidade, nem a minha, porque ela é igual à dos senhores ¿ disse Jefferson, que declarou à Justiça ter gastado R$144.900 na campanha de 2002. Dos 16 deputados membros da CPI, nove declararam oficialmente ter gastado mais do que ele. E mesmo assim não reagiram. O que pode ser explicado pelo fato de que ainda assim os candidatos não teriam declarado tudo o que gastaram. Os senadores Heráclito Fortes (PFL-PI) e Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios, foram os que declararam valores mais altos, ultrapassando R$1 milhão. Já Ideli Salvatti (PT-SC) e Jefferson Peres (PDT-AM) declaram os custos mais baixos, de R$222 mil e R$148 mil, respectivamente. Gastaram menos que a média mencionada por Jefferson. Tomando-se por base os números oficiais, seria mais caro hoje se eleger vereador do que senador, em termos proporcionais. E as campanhas brasileiras podem custar muito mais, proporcionalmente, do que as americanas. Com seus declarados fictícios R$144.900, Jefferson teria desembolsado R$3,50 por cada voto. Mas como ele afirma que uma campanha para deputado custa na verdade R$1 milhão ou mais, cada voto pode ter saído à razão de R$24,50. Este dinheiro seria o equivalente a US$10, um décimo do que custou cada eleitor que levou o multibilionário Michael Bloomberg à prefeitura de Nova York em 2001. A comparação com os números que reelegeram George W. Bush parece dar razão ao deputado. A prestação de contas de Bush (recorde americano) atinge US$360 milhões, ao custo de US$6 por eleitor (R$15).