Título: Delcídio não confirma versão de Genoino
Autor: Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 06/07/2005, O País, p. 10

Depois de o dirigente petista ter negado pressão contra investigação, presidente da CPI não corrobora versão

BRASÍLIA. Os fortes indícios do envolvimento de dirigentes do PT com o publicitário Marcos Valério Fernandes deixaram o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), numa corda bamba política. Petista há quatro anos, o senador tenta equilibrar-se entre o comando das investigações da corrupção no governo e a liderança do partido, pelo qual pretende ser candidato ao governo do Mato Grosso do Sul em 2006. Na noite de segunda-feira, logo depois de o presidente do PT, José Genoino, dar uma tensa entrevista ao programa "Roda Viva" em que negou ter coagido Delcídio numa conversa por telefone sobre os rumos da CPI, o senador falou ao vivo ao "Jornal da Globo". Delcídio não desmentiu a pressão exercida por Genoino contra a quebra do sigilo bancário do publicitário Marcos Valério de Souza:

- Eu acho que nós já temos crise suficiente. Acho que temos um desafio grande aí, especialmente no que se refere à CPI dos Correios. Acho que a esta altura do campeonato talvez uma outra crise, especialmente com o presidente do partido... Eu acho que temos outras coisas para cuidar, é importante que a gente encaminhe os trabalhos da CPI na linha do que a opinião pública acima de tudo espera de todos nós.

Numa pergunta mais específica sobre a conveniência da manutenção de Genoino na presidência do PT, Delcídio respondeu com elogios ao petista, mas com a ressalva de que culpados não seriam poupados.

- José Genoino é um petista importante, construiu o partido, é uma pessoa que tem uma história de conquistas, de desafios, de coragem. Evidentemente, amanhã (ontem) nós teremos a reunião da executiva nacional, e eu não tenho dúvida nenhuma que, dentro das decisões todas que tomaremos, respeitaremos as biografias. Assim como não podemos punir os inocentes, nós também não vamos inocentar os culpados - disse Delcídio.

Senador evita responder sobre convocação de Dirceu

O senador também teve de ser hábil para evitar desentendimentos com o ex-ministro José Dirceu. Ao ser indagado sobre a convocação de Dirceu à CPI, Delcídio deu voltas:

- Temos uma seqüência natural, que começou com as denúncias, depois com as pessoas que gravaram aquela fita que incrimina o senhor Maurício Marinho, e depois os contratos. Evidentemente, isso seguido das quebras de sigilo e de comum acordo discutido com os líderes, não só do governo mas também os líderes de oposição, resultando numa agenda que efetivamente vai dar seqüência a tudo aquilo que a CPI está investigando - afirmou na entrevista ao "Jornal da Globo".