Título: AÇÃO DOMINOU AS CONVERSAS NO CAFEZINHO
Autor: Lydia Medeiros e Heloísa Marra
Fonte: O Globo, 14/07/2005, Economia, p. 24

'Dasluzetes' tentavam transmitir um clima de naturalidade

SÃO PAULO. Mal os últimos policiais federais deixaram a chamada Vila Daslu, as "dasluzetes" já estavam a postos recepcionando os clientes endinheirados que chegavam à loja. O forte esquema de segurança na entrada não parecia ter sido reforçado, apenas mantinha o rigor com os que chegavam a pé ou de táxi.

Lá dentro, entre centenas de funcionários, o clima era de absoluta discrição. Funcionários e vendedores teriam recebido orientação para não falar sobre a prisão de Eliana Tranchesi. Vendedoras que minutos antes haviam chegado em seus carros, muitos importados, tentavam aparentar naturalidade.

Mas bastavam alguns minutos na cafeteria da loja para constatar que a determinação havia sido deixada de lado.

- Será que ela (Eliana) sai (da prisão) ainda hoje? - perguntava uma das vendedoras ao rapaz que servia café e uísque aos clientes.

A clientela também não escondia a curiosidade. À saída da loja, sem quaisquer sacolas, duas mulheres conversavam:

- Acordei com a notícia. Como sou do tipo que só acredito vendo, aqui estou - dizia, enquanto esperava que um manobrista trouxesse seu carro.

As caixas registradoras - pequenos terminais de computadores em tela de plasma - funcionavam normalmente.

Na favela Coliseu, onde cerca de 30 barracos são separados da Daslu só por um muro, ninguém acreditava na prisão:

- Você deve estar brincando, né não? Desde quando a polícia bota gente da elite em cana? - indagava a diarista Mara Aparecida, que ganha R$50 por dia e que tentou, sem sucesso, emprego na loja.