Título: CRISE IMPLODE NÚCLEO DURO DO GOVERNO
Autor: Luiza Damé e Ciça Guedes
Fonte: O Globo, 14/07/2005, O País, p. 12
Últimos remanescentes do grupo original são Palocci e Luiz Dulci
BRASÍLIA. A crise política e a reforma ministerial implodiram o núcleo de coordenação do governo Lula. O chamado núcleo duro não existe mais, pelo menos com sua formação original. Depois da saída de José Dirceu da Casa Civil, de Aldo Rebelo da Coordenação Política - que só será formalizada na segunda-feira - e do rebaixamento de Luiz Gushiken de ministro para secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, subordinado à Casa Civil, os últimos remanescentes do grupo original são os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da secretaria-geral da Presidência, Luiz Dulci.
Palocci é um dos mais influentes no atual grupo de conselheiros de Lula, dominado por ele e pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Diante da agenda de denúncias que domina o cenário político, Bastos passa cada vez mais tempo no Planalto e foi quem anunciou as medidas tomadas diante da prisão do petista cearense José Adalberto Vieira da Silva, em São Paulo, flagrado com US$100 mil na cueca.
Palocci, um vencedor nas discussões econômicas, vem influenciando nos assuntos políticos. Lula deixou isso claro em sua viagem à Coréia e ao Japão, quando a CPI dos Correios foi criada, e se recusou a falar da crise, passando essa atribuição ao ministro: "Palocci falará por mim".
Os ministros Jaques Wagner, que agora acumula as funções de articulador político e coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Cdes), e Dilma Rousseff (Casa Civil) também participam das reuniões.
O novo formato tem reuniões informais sem a pompa do extinto grupo. As discussões diárias são chamadas de Gabinete de Crise, embora os ministros evitem a denominação. Lula tem optado por reuniões menores, com um tema por vez.
O afastamento de Dirceu e de Gushiken é justificada como uma forma de blindar o presidente Lula, já que os dois são citados nas denúncias de corrupção envolvendo órgãos do governo e o PT. A estratégia é reforçar a mensagem de que Lula não sabia das irregularidades.
Gushiken tomou a iniciativa de pedir para se afastar. Mas, na prática, isso já tinha acontecido, pois Lula vinha conversando apenas com Bastos, Palocci e Dilma.
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