Título: GOVERNO, PORÉM, MANTÉM OTIMISMO
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 16/07/2005, Economia, p. 22
Para técnicos, compra de máquinas e equipamentos comprova expansão
BRASÍLIA. Apesar da desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre e das sondagens que demonstram desânimo do setor produtivo, o governo vê outros números e sustenta que os investimentos continuam. O indicador usado contra os pessimistas é a lista de pedidos de ex-tarifários - sistema que permite a redução de 14% para 2% do Imposto de Importação de máquinas e equipamentos. Somente de dezembro de 2004 a junho deste ano, o estoque de investimentos saltou US$9,1 bilhões, de US$29,9 bilhões para US$34 bilhões.
Esses investimentos foram alavancados, principalmente, pelas importações facilitadas de bens de capital. No mesmo período, as compras externas de máquinas e equipamentos efetuadas pelo regime de ex-tarifários aumentaram de US$2,2 bilhões para US$3,6 bilhões, uma alta de 63,63%.
MP de PIS/Cofins reduzirá custo de novos projetos
São decisões tomadas há pelo menos dois anos, que estão maturando agora. Mas os últimos dados chamam a atenção. Com a ampliação da lista de produtos incluídos no regime, em junho, devem ser importados US$85,4 milhões em bens de capital, que resultarão em investimentos de US$435,9 milhões, segundo os técnicos.
Os maiores são dos setores automotivo, autopeças, eletroeletrônicos, máquinas agrícolas, siderurgia, metalurgia, e papel e celulose. Isso indicaria que, mesmo que houvesse uma redução de ritmo, os investimentos prosseguiriam.
O governo também acredita que a chamada MP do Bem, que suspende a cobrança de PIS/Cofins na compra de bens de capital, reduzirá o custo de investimentos no país em torno de 13%. Um investimento programado de US$1 bilhão, por exemplo, que se transforma num gasto de US$1,4 bilhão devido à incidência de tributos, ficaria em US$1,2 bilhão.
Além disso, devido às resistências da Fazenda em ampliar os benefícios tributários, a equipe do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, está aconselhando os empresários a pressionarem o Congresso para estender os incentivos por meio de emendas.
Setor privado esperacorte nos juros
Para empresários e especialistas do setor privado, no entanto, um bom fator para estimular investimentos seria a redução da taxa básica de juro (Selic) pelo Banco Central.
- Com a queda dos juros, certamente o cenário vai melhorar muito - diz o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Wagner Lacerda Ribeiro.
Devido à crise política, o economista Raul Velloso diz que ainda é difícil saber o que ocorrerá com os investimentos. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Guilherme Duque Estrada, concorda: acha que é cedo para saber se a crise terá efeitos negativos na economia.
Já o diretor do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello, lembra que as siderúrgicas podem retardar seus projetos devido à falta de previsibilidade do governo.
- A taxa de investimentos em relação ao PIB precisa chegar a 24%, para que a economia possa crescer 6%, 7% ao ano. Hoje está em torno de 20% - ressalta o economista José Julio Senna, da consultoria MCM.
inclui quadro: os dados que mostram crescimento