Título: FURLAN PROMETE A EXPORTADOR ESTUDAR MEDIDAS PARA COMPENSAR ALTA DO REAL
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 20/07/2005, Economia, p. 24

Uma proposta é elevar tarifa de itens comprados fora do Mercosul para 35%

SÃO PAULO. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) vai examinar na sua reunião de agosto medidas que podem compensar a crescente valorização do real frente ao dólar. Entre as propostas em estudo estão a elevação para 35% da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para a importação de produtos como calçados. Outra medida acabaria com o prazo de 180 dias para o pagamento das importações, que teriam de ser quitadas à vista.

Foi o que anunciou ontem o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, ao participar da abertura da 37ª Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes (Francal). Na avaliação dos empresários, a valorização do real derruba a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e abre uma brecha para o aumento de importações de itens de baixo valor unitário, principalmente da China.

- Hoje, a tarifa brasileira é variada. Vai de 15% a 18% ou 20%. Há um trabalho técnico dentro do ministério, e na próxima reunião da Camex, convocada para o início de agosto, o assunto deverá ser apreciado - disse Furlan.

Entidade diz que exportação de calçados caiu 9% este ano

A TEC regula a tarifa comum usada pelos membros do Mercosul na importação de produtos de países fora do bloco. Recentemente, numa medida preventiva ao que chamou de invasão dos importados, a Argentina adotou uma alíquota extrabloco de 35% e determinou o pagamento à vista para a compra de vários produtos, como calçados e carros.

- Estaríamos convergindo para a tarifa de nosso principal parceiro comercial da região. As medidas disponíveis (em estudo) não causam nenhuma ruptura, estão dentro da legalidade e não ferem as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) - disse Furlan.

Ao assumir seu terceiro mandato consecutivo na presidência da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o empresário Élcio Jacometti disse que o setor passa "por um momento de aflição". Segundo a entidade, o volume de calçados exportados caiu 9% nos primeiros cinco meses do ano. Essa queda só foi compensada pelo aumento do preço médio dos produtos.

Furlan fez também referência a outra reivindicação dos fabricantes de calçados: a adoção de barreiras contra os produtos chineses. O ministro disse que irá a Pequim em setembro para discutir o assunto com autoridades locais:

- Esse não é um tema fácil. Envolve interesses maiores do que os setoriais.

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Legenda da foto: FURLAN: A adoção de barreiras contra a China "não é um tema fácil"