Título: ESTRADAS, UM DOS TRÊS ERROS
Autor: Soraya Aggege
Fonte: O Globo, 25/07/2005, O País, p. 9
'Não conseguimos fazer obras nas rodovias', admitiu o presidente em abril
BRASÍLIA. O próprio presidente Lula reconheceu em sua primeira entrevista coletiva, no dia 29 de abril passado, que a falta de investimentos na recuperação e manutenção das estradas brasileiras era um dos três maiores erros de seu governo. De lá para cá a situação não mudou muito, pois o Orçamento da União segue a tradição de todos os anos: baixa execução orçamentária na primeira parte do ano, concentrando a liberação dos recursos para obras no segundo semestre.
- Nós não conseguimos fazer as obras nas rodovias brasileiras que eu gostaria de fazer e que conheço os desmandos desde 1992, quando percorri 90 e poucos mil quilômetros nas caravanas da cidadania - disse Lula ao listar que os dois outros maiores erros de seu governo eram a política de juros e os equívocos cometidos na política, que resultaram na derrota do PT na eleição para a presidência da Câmara.
Obras seguem mesmo ritmo de anos anteriores
Na preparação do Orçamento da União de 2005, em dezembro do ano passado, Lula pediu prioridade para o setor de transportes. Depois de aprovado, entre os projetos que receberam tratamento especial estava a de restauração e manutenção de estradas, que terá R$1 bilhão. Outros R$700 milhões estavam previstos para a duplicação das BR-101 Sul e BR-101 Nordeste e na BR-381. Mas todas essas obras seguem o mesmo ritmo de anos anteriores.
A situação hoje das estradas brasileiras não está muito diferente do que foi retratado em 2003 pela Confederação Nacional dos Transportes na última versão da Pesquisa Rodoviária CNT, que mostrou dados alarmantes.
Malha tem 77,6% de sua extensão mal sinalizada
Segundo a pesquisa, divulgada pelo presidente da CNT, Clésio Andrade, 58,5% da extensão da malha rodoviária encontravam-se com pavimento em estado deficiente, ruim ou péssimo, totalizando quase 28 mil quilômetros; 77,6%, ou 39 mil quilômetros, não estavam sinalizados de forma adequada.
Em 2003, trechos com afundamentos, ondulações ou buracos somavam mais de oito mil quilômetros, o equivalente a uma viagem de ida e volta entre Porto Alegre (RS) e Natal (RN). Em 44,5% da extensão avaliada (21.195 quilômetros), não havia sinalização de velocidade máxima permitida.
Legenda da foto: BURACOS NA BR-116 (Rio-Bahia): 60% das estradas estão precárias