Título: ABI-ACKEL DEVERIA SE AFASTAR DE CPI, DIZ MERCADANTE
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 27/07/2005, O País, p. 11

Dirceu participou da escolha do deputado para cargo de relator

BRASÍLIA. Maior defensor da indicação do deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) para relator da CPI do mensalão, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), disse ontem que ele deveria se declarar impedido de assumir a função. O deputado recebeu R$150 mil na campanha eleitoral de 1998 por intermédio da SMP&B, agência do empresário Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão.

- Imagino que ele próprio tomará a iniciativa de declarar seu impedimento - disse Mercadante.

A escolha de Abi-Ackel teve discreta mas direta participação do ex-ministro José Dirceu, um dos alvos da investigação. Ele vinha defendendo, como Mercadante, que o relator tivesse sólida formação jurídica para evitar que a CPI tomasse apenas o rumo politico. Abi-Ackel foi ministro da Justiça do governo João Figueiredo.

Abi-Ackel, segundo seu gabinete, estava ontem no interior de Minas. A CPI deve se reunir na próxima semana, quando o assunto deverá ser tratado. O presidente, senador Amir Lando (PMDB-RO), estava em Rondônia, numa fazenda.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), concordou com a saída de Abi-Ackel da relatoria:

- Por mim, o sr. Abi-Ackel não deve ser mais relator da CPI do Mensalão.

Abi-Ackel defende sua permanência como relator

Abi-Ackel acredita que as explicações dadas por ele sobre o caso são suficientes para mantê-lo no posto. Em nota, ele atribuiu o recebimento do dinheiro à coordenação da campanha do ex-governador de Minas e atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Segundo o deputado, a contribuição foi feita por ordem de Cláudio Mourão, responsável pelas finanças da campanha majoritária.

Ele também ressaltou que a agência de Valério, à época, não era objeto de investigações. Abi-Ackel também fez questão de dizer que não conhece o publicitário mineiro.

O vice-presidente da CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), deverá requerer a lista de pessoas que receberam dinheiro de Valério em Minas, em campanhas anteriores. Ele lembrou que a CPI irá investigar a compra de votos desde a época da emenda constitucional que instituiu a reeleição (1997). Por isso, defende que a comissão aprove a quebra de sigilo de Valério e outros envolvidos desde 1996.