Título: AO VISITAR OBRA, NOS BRAÇOS DO POVO
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 29/07/2005, O País, p. 3
Presidente pilota máquina para perfurar um morro, aparenta bom humor e quebra protocolo
PORTO ALEGRE. Depois de pilotar no fim da manhã o jumbo, uma perfuratriz hidráulica que começou a abrir os 1.670 metros do túnel do Morro Alto, a principal obra de engenharia da duplicação da BR-101 entre Palhoça (SC) e Osório(RS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o protocolo e subiu o paredão de 15 metros de altura para ouvir pedidos de populares ¿ entre eles, o de disputar a reeleição. Horas antes, sua comitiva havia enfrentado protestos em Porto Alegre e o presidente, na obra, aproveitou a festa do povo.
Antes de ir para o canteiro da construtora Queiroz Galvão, Lula, com bom humor, não resistiu quando o consultor de vendas Rafael Dias lhe ofereceu o celular para que conversasse com sua sogra, Antonieta Ferrari de Lima:
¿ Oi, dona Antonieta, tudo bem? Está saindo um cafezinho aí? ¿ perguntou Lula.
¿ Quem fala? ¿ quis saber dona Antonieta.
¿ É o Lula ¿ respondeu o presidente.
Já no canteiro de obras, Lula pilotou a máquina jumbo para começar a perfuração do paredão de 15 metros. Lá no alto, um apelo da dona-de-casa Felisberta Dias, manuscrito numa cartolina branca com um pedido para lhe entregar uma carta, chamou a atenção do presidente. Ele subiu o paredão íngreme e abraçou cada uma das pessoas, caminhando por um estreito corredor. Recebeu abraços, beijos, puxões e falou com muita gente. Abordado durante o percurso, o presidente não respondeu a qualquer pergunta dos jornalistas.