Título: BANCO DO CEARÁ É A 2ª PRIVATIZAÇÃO DO GOVERNO LULA
Autor:
Fonte: O Globo, 29/07/2005, Economia, p. 50
Leilão do BEC terá lance mínimo de R$542,7 milhões
BRASÍLIA. Numa outra decisão importante, o Conselho Monetário Nacional (CMN) marcou ontem a data para o leilão do Banco do Estado do Ceará (BEC): será no próximo dia 15 de setembro, na Bovespa, em São Paulo. Esta será a segunda privatização do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira foi a venda do Banco do Estado do Maranhão (BEM).
Sob controle da União desde 1999, a instituição terá um preço mínimo, no pregão, de R$542,7 milhões. Mas os funcionários do BEC também terão direito a comprar ações, no valor de R$28,6 milhões, o que dá um total de R$571,3 milhões. Existem quatro bancos interessados em comprar o BEC: Itaú, Bradesco, Unibanco e GE.
O diretor de Liquidações e Desestatização do Banco Central, Antônio Gustavo Matos do Vale, disse que uma parcela de R$66,5 milhões será paga ao governo do Ceará. Segundo ele, foi a saída negociada para que o governo estadual mantivesse suas contas no BEC após a privatização. O restante a ser apurado no leilão será usado integralmente para quitar a dívida renegociada do Ceará com o Tesouro Nacional por 30 anos.
¿ Houve uma tentativa de venda do BEC em dezembro de 2002, mas não foi possível ter uma lei estadual para a conta do governo ficar na instituição ¿ disse Matos Vale, acrescentando que as condições de mercado são mais favoráveis hoje.
Compradores poderão usar títulos federais
Para sanear o BEC, o governo cearense fez um empréstimo de R$984 milhões com a União dentro do programa de reestruturação dos bancos estaduais. Ou seja, após a venda do banco, ainda restará uma dívida a ser paga pelo Ceará ao Tesouro. Os bancos poderão usar títulos públicos federais, incluindo as chamadas moedas podres. São papéis renegociados de antigas estatais, como a holding Siderbrás, que reunia as siderúrgicas.
Depois da venda do BEC, sobrarão os dois últimos bancos estaduais (Santa Catarina e Piauí), que estão sob a administração do Banco Central. A maior privatização foi a do Banespa, comprado pelos espanhóis do Santander no fim de 2000 por R$7 bilhões.
O BEC tem 70 agências, com ativos totais de R$1,733 bilhão. São 865 funcionários que serão assumidos pelo comprador. (Enio Vieira)