Título: Ajudante de Dirceu estava na lista de sacadores
Autor:
Fonte: O Globo, 31/07/2005, O País, p. 8

Fax do Banco Rural autorizava Roberto Marques a retirar R$50 mil da conta da SMP&B; auxiliar nega e fala em `armação¿

SÃO PAULO. Às vésperas do depoimento do deputado José Dirceu (PT-SP) na Comissão de Ética da Câmara, nesta terça-feira, o nome de um ajudante do ex-ministro surge como mais um dos supostos beneficiados por saques nas contas do empresário Marcos Valério no Banco Rural. Segundo a revista ¿Veja¿, em sua edição deste final de semana, a CPI dos Correios descobriu, entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, uma autorização para que um auxiliar de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como Bob, sacasse R$50 mil na agência do banco na avenida Paulista, em São Paulo. Bob nega que tenha feito o saque e acha que foi ¿tudo armação¿ para prejudicar o ex-ministro.

Na reportagem, Bob é descrito como o homem que cuida da agenda e das contas de Dirceu, e que o acompanha em viagens. A assessoria de imprensa do ministro negou ontem que Bob seja assessor dele, mas confirmou que os dois são amigos e estão sempre juntos nos fins de semana em São Paulo.

De acordo com documento reproduzido pela revista, o nome de Roberto Marques está entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiros nas contas de Marcos Valério. O documento é um fax com papel timbrado do Banco Rural enviado à agência da avenida Paulista no dia 15 de junho do ano passado, no qual um funcionário de Belo Horizonte encaminha uma autorização para ¿o sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação¿.

Os integrantes da CPI apuraram, segundo a revista, que a autorização dada a Bob Marques, no entanto, foi usada no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, para fazer o saque em seu nome. Mazano é contador da corretora Bônus-Banval, de São Paulo, que também estava autorizado a fazer o saque. O nome de Mazano e a corretora já foram envolvidos na CPI dos Correios. Em nome da Bônus-Banval, o funcionário Benoni Nascimento de Moura fez um saque de R$225 mil. Sobre esse saque, a Bônus-Banval diz que ainda está fazendo uma auditoria para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a corretora disse que não conhece e nunca ouviu falar no nome do ajudante de José Dirceu. Até o final do ano passado, essa corretora empregou como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene (PP-PR), suspeito de ser um dos operadores do mensalão.

¿Armação para complicar Dirceu¿

Ao ser procurado pela revista para falar sobre o saque, Roberto Marques diz que nunca esteve no Rural, não sacou o dinheiro e acha que seu nome foi usado indevidamente.

¿Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome. Pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu¿, disse Bob Marques à revista ¿Veja¿. Bob é um ajudante geral de José Dirceu. Ele é funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, mas serve ao ex-ministro e o acompanha em viagens.

Ouvido na reportagem, o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), membro da CPI, confirma que o Roberto Marques autorizado a sacar os R$50 mil no Banco Rural é mesmo o assessor de Dirceu. Abicalil confirma que foi procurado pelo próprio Marques para tentar esclarecer o aparamento de seu nome nos documentos do Rural. De acordo com Abicalil, o assessor de José Dirceu repassou o número de sua identidade e de seu CPF à CPI e os dados conferiam.