Título: LULA DISSE A PMDB QUE JOSÉ DIRCEU MINIMIZOU QUEIXAS
Autor: Ilimar Franco e Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 14/08/2005, O País, p. 16

Jaques Wagner tenta reorganizar a base governista na Câmara

BRASÍLIA. No âmbito do Congresso, o ministro da Coordenação Política, Jaques Wagner, está à frente das negociações para buscar uma saída pacífica para a crise. Ele tem conversado com líderes de todos os partidos, enquanto o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tenta reagrupar a base governista na Casa, onde, se for o caso, será votada a autorização para a abertura de um processo de impeachment.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu conversar diretamente com o PMDB governista. Ele tem se reunido com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e com o ex-presidente José Sarney (AP). Nesses encontros, tem sido amargo em suas referências ao ex-chefe da Casa Civil, o deputado José Dirceu (PT-SP). Segundo um dos ministros do PMDB, que participou de uma reunião com o presidente há dez dias, Lula disse claramente que toda vez que procurava informações sobre queixas que recebia, Dirceu as minimizava e dizia que não tinham relevância.

O presidente chegou a relatar um episódio recente.

¿ O Lula nos contou que o José Eduardo Dutra pediu demissão da Petrobras porque não agüentava mais as pressões do Sílvio Pereira. O presidente disse que era para Dutra ficar e mandar o Silvinho pastar ¿ contou esse ministro, lembrando que se tratava dos interesses da GDK, empresa que deu um Land Rover de presente para o ex-secretário-geral do PT.

Lula manda auxiliares reforçarem posição de Tarso

Depois das revelações feitas pelo publicitário Duda Mendonça e pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Lula orientou seus principais auxiliares a reforçarem o apoio ao presidente do PT, Tarso Genro, e a suas ações para sanear o partido. Lula disse em seu pronunciamento, na reunião ministerial, que se dependesse da vontade dele os que erraram já estariam sendo punidos.

Isso foi interpretado pelos petistas como uma crítica à decisão do partido de aguardar pela CPI para assumir uma posição contra os que cometeram erros.

Em avaliações reservadas com alguns poucos ministros, o presidente Lula chegou a discutir em dois momentos da semana passada a possibilidade de a oposição tentar um processo de impeachment. No Palácio do Planalto, a constatação é de que a oposição não conseguiu unidade para liderar um processo de impeachment e que essa idéia ainda não contaminou os principais setores da sociedade como os empresários, a mídia, a Igreja e os movimentos sociais.