Título: Preocupação também para3 mil palestinos
Autor: Renata Malkes
Fonte: O Globo, 14/08/2005, O Mundo, p. 34-35
Centenas de pessoas trabalham em estufas e plantações de colonos
SHIRAT HAYAM, Faixa de Gaza. Fora de Dahania, pelo menos três mil palestinos estão empregados nos 21 assentamentos judeus espalhados pela Faixa de Gaza.
Trabalhando cerca de nove horas por dia em estufas e campos agrícolas dos assentamentos, eles ganham em média 90 shekels por dia (cerca de R$45) e temem que com a retirada israelense, termine também sua única fonte de renda.
Camponês lamenta fim do emprego em assentamento
Ibrahim, de 35 anos, deixa todas as manhãs a casa onde mora com a mulher e os quatro filhos na aldeia de Mowassi para trabalhar na agricultura. No caminho, apenas uma cerca de arame farpado separa a pobreza da aldeia palestina das recém-reformadas casas do assentamento de Shirat Hayam, à beira-mar.
Acostumado à vida no campo, ele acredita que será difícil sustentar a família após o plano de retirada do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.
¿ A vida não é ruim, não posso reclamar. Apesar de estarmos tão perto, não tenho contato algum com os colonos que vivem do outro lado. Os soldados que patrulham ao redor não incomodam. Faço meu trabalho, volto para casa e ganho meu sustento. Se os assentamentos forem destruídos, não sei o que pode acontecer. Prefiro que eles fiquem ¿ disse ele, em hebraico fluente.
Trabalhadores temem que ANP favoreça aliados
A poucos quilômetros dali, Mahmoud, de 33 anos, morador da cidade palestina de Khan Yunes, demonstra as mesmas preocupações. Ele fiscaliza 30 trabalhadores palestinos numa estufa do assentamento de Ganei Tal, onde trabalha há 18 anos e todos os dias ouve atentamente as notícias no rádio na esperança de que o governo de Israel volte atrás e decida manter suas colônias na Faixa de Gaza. Segundo ele, caso a retirada se concretize, ninguém vai poder empregá-los.
¿ Aqui eu ganho bem. Se Deus quiser, os colonos judeus vão ficar. Se estivesse empregado em Gaza num trabalho parecido ganharia 30 shekels por dia (cerca de R$15) trabalhando das seis da manhã até as seis da tarde. Em Gaza o desemprego é muito grande e mesmo se as estufas continuarem aqui, somente aliados da Autoridade Nacional Palestina (ANP) terão o controle sobre região e sobre os empregos. Para nós não vai sobrar coisa alguma. A ANP só faz o que é bom para ela e não o que é bom para o povo ¿ denunciou Mahmoud.