Título: Oposição descarta processo de impeachment
Autor: Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 16/08/2005, O País, p. 5
PFL deve encaminhar ao TSE pedido de reabertura e análise das contas da campanha do presidente em 2002
BRASÍLIA. Os partidos de oposição descartaram ontem a possibilidade de um processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir de agora, PFL, PSDB, PPS, PDT e PV terão reuniões freqüentes para traçar ações em comum no Congresso e especialmente nas CPIs em funcionamento. O PFL deve encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido de reabertura e análise das contas da campanha do presidente em 2002, para checar as informações de uso de moeda estrangeira passadas pelo publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios.
¿ O governo está perdendo a autoridade, e os partidos e líderes do Congresso têm de gerenciar a crise e ocupar o espaço de poder ¿ afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) sintetizou a avaliação da maioria:
¿ O governo acabou e temos de ver como não deixar o país naufragar neste ano e meio que sobra ¿ disse.
O PFL deverá pedir ao TSE a reabertura das contas da campanha de Lula. O deputado ACM Neto (PFL-BA) afirmou que vai propor a medida à CPI dos Correios hoje. A idéia não tem apoio integral do PSDB:
¿ Abrir contas é uma burrice. Entra na estratégia do governo. Não estamos discutindo caixa dois, como eles querem, mas corrupção no governo. É roubo, desvio de recursos. Abrir as contas é besteira ¿ criticou Eduardo Paes (PSDB-RJ), também da CPI dos Correios.
O grupo rejeitou a possibilidade de os partidos oposicionistas apresentarem um pedido de impeachment do presidente Lula. Todos concordaram que faltam dois ingredientes básicos para a medida: apoio popular e comprovação jurídica da responsabilidade do presidente.
¿ Impeachment não se propõe à sociedade. Espera-se a sociedade propor aos partidos em cima de fatos jurídicos incontestáveis. Mas não é tabu. Não pedimos agora pela falta desses requisitos ¿ disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou que o partido não fará acordos em torno de investigações e punições.