Título: ISRAEL SOFRE PRIMEIRO ATAQUE APÓS DEIXAR GAZA
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Fonte: O Globo, 29/08/2005, O Mundo, p. 18

Homem-bomba detona explosivos, fere duas pessoas com gravidade e piora crise entre palestinos e israelenses

JERUSALÉM. A explosão ontem de um homem-bomba palestino feriu gravemente dois seguranças numa estação de ônibus em Beersheba, Israel, no primeiro ataque terrorista desde a retirada dos colonos israelenses da Faixa de Gaza. Os grupos Jihad Islâmica e Brigadas dos Mártires de al-Aqsa assumiram a autoria do atentado, dizendo ter sido uma retaliação a uma operação do Exército israelense que terminou na morte de cinco palestinos há quatro dias.

Horas após o ataque, o Gabinete israelense aprovou por maioria a proposta permitindo que o Egito patrulhe a fronteira com a Faixa de Gaza, com 750 homens armados. Isso possibilitará a Israel retirar, no próximo mês, todos os seus soldados da região.

Líder palestino condena o ataque terrorista

Os grupos informaram que o ataque foi realizado por Ayman Za'aqiq, de 25 anos. As conseqüências do ataque, ocorrido na hora do rush, só não foram mais graves porque, desconfiado, um motorista de ônibus alertou a segurança sobre um homem que havia pedido informações num estacionamento a cem metros da estação. Os guardas perseguiram o suspeito e ele, então, detonou a bomba numa área mais vazia. Além dos dois guardas, 46 pessoas foram levadas para o hospital com ferimentos leves ou em estado de choque.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbascondenou o que chamou de ataque terrorista. Os líderes israelenses, de acordo com Raanam Gissin, assessor do primeiro-ministro Ariel Sharon, vêem o atentado como "um despertador que traz de volta à realidade do terrorismo após a euforia com a retirada de Gaza".

- Enquanto os palestinos não tomarem ações definitivas contra o terrorismo, ele irá continuar, e a estratégia deAbbasde fazer tratos com grupos terroristas voltará para assombrá-lo - disse Grissin. - Eles sentem pelo cheiro que ele é fraco, e vão continuar pressionando.

Abbaspor sua vez, descreveu o ataque israelense que matou cinco palestinos na quinta-feira em Tulkarm, Cisjordânia, como "uma provocação" que "buscou renovar o círculo vicioso da violência, num momento em que as autoridades palestinas tentam manter a calma".

- Quem quer que tenha ordenado o massacre em Tulkarm é responsável pelo ataque em Beersheba - disse Jibril Rajoub, assessor deAbbasO objetivo da operação israelense era desmantelar uma célula da Jihad Islâmica, responsável por ataques recentes, mas há suspeitas de que pelo menos um dos mortos seria inocente.

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