Título: PALOCCI: PAÍS EM EXPANSÃO ROBUSTA
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 02/09/2005, Economia, p. 23
Ministro afirma que a política econômica ajudou PIB a crescer
BRASÍLIA. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, comemorou ontem o crescimento da economia no segundo trimestre do ano - alta do PIB de 1,4% em relação ao primeiro trimestre e 3,4% no primeiro semestre - e aproveitou para defender as políticas fiscal e monetária, dizendo que contribuíram para o resultado. Segundo ele, os esforços do governo na área econômica têm sido feitos para garantir a estabilidade com controle da inflação, redução da vulnerabilidade externa e ajuste das contas públicas.
- Após o ajuste de 2003, a economia brasileira cresceu quase 5% em 2004, e segue em expansão, como mostra o crescimento de 1,4% do PIB no segundo trimestre. É um resultado robusto que confirma que estamos diante de um dos ciclos de crescimento mais longos desde os anos 90 - disse Palocci, ao participar da edição especial do Fórum Nacional.
O ministro também destacou o aumento de 8,6% nos investimentos nos últimos quatro trimestres em relação ao mesmo período anterior. Segundo ele, esse desempenho mostra que a expansão está ocorrendo graças à solidez da economia, e cria condições para o PIB crescer de forma sustentada nos próximos anos.
Palocci afirmou ainda que o equilíbrio fiscal vai permitir a ampliação das iniciativas na área social. Respondendo aos críticos da política econômica, que afirmam que o aperto fiscal prejudica os investimentos sociais, o ministro disse:
- O descontrole fiscal é que põe em risco os programas sociais. As limitações impostas pelo ajuste fiscal e pela austeridade com que o governo vem conduzindo o manejo da política fiscal não têm impedido o avanço no tamanho, na qualidade e na composição das despesas sociais.
Ministro: governo deve melhorar gastos em previdência social
Palocci lembrou que, entre 2003 e 2005, o Programa de Agricultura Familiar (Pronaf) teve aumento de recursos de 54%. Já no Bolsa Família, segundo o ministro, o crescimento foi de 170%, devendo alcançar 8,7 milhões de famílias este ano.
O ministro reconheceu, no entanto, que o governo precisa melhorar seus gastos, especialmente na área de previdência social:
- O sucesso na superação deste desafio é essencial para consolidar, de forma definitiva, as condições para o crescimento sustentado e acelerado da economia.
Palocci aproveitou sua participação no fórum para ressaltar indicadores econômicos com resultado positivo. Ele lembrou, por exemplo, que as exportações já acumulam US$110 bilhões nos últimos 12 meses, contra US$60 bilhões em 2002. Já os juros da dívida externa, que correspondiam a 83% das exportações em 2002, passaram para 50% no primeiro trimestre de 2005.
- São os melhores números dos últimos 20 anos - disse ele.
Palocci reconheceu que a carga tributária é alta, mas disse que o governo tem trabalhado para reduzi-la, e citou medidas de desoneração tomadas desde 2004, como a criação da conta investimento, a redução do IPI para bens de capital e a criação de alíquotas decrescentes de Imposto de Renda para fundos de investimento. Ele disse ainda que o governo vai continuar adotando medidas de desoneração, desde que haja condições fiscais.