Título: LULA LAMENTA DERROTAS E DIZ QUE É A HORA DE SE REAPROXIMAR DOS ALIADOS
Autor: Cristina Jungblut
Fonte: O Globo, 01/11/2004, O País, p. 4
Presidente rejeita tese de que eleição significou um julgamento do governo
BRASÍLIA. Apesar das emblemáticas derrotas em redutos históricos do PT como São Paulo e Porto Alegre, ministros assumiram ontem o discurso de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi julgado nas eleições e que a base aliada saiu vitoriosa. Ao avaliar o resultado com ministros e assessores, Lula lamentou as derrotas e deixou claro que o momento é de se reaproximar dos partidos aliados e de retomar a agenda no Congresso. Ele rejeitou a tese de que houve um julgamento de seu governo.
Para tentar amenizar o impacto das perdas, o governo vai usar a estratégia de ressaltar o desempenho de partidos aliados, como o PSB, que conquistou três capitais: João Pessoa, Manaus e Natal. O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que a base saiu vitoriosa e que o fortalecimento do PSDB não terá reflexos no governo federal:
¿ Eles (o PSDB) também saíram fortalecidos em 2002 com a eleição de alguns governadores. E isso não teve e não tem relação com o desempenho do governo federal. O presidente está tranqüilo. A eleição acabou. Cabe a nós declarar encerrado o período eleitoral e ter relação respeitosa com os prefeitos.
O ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, também disse que o governo saiu vitorioso, lembrando que o próprio Lula sempre trabalhou com alianças:
¿ No segundo turno, a base conquistou mais prefeituras do que o PT. Desse ponto de vista, o governo saiu vitorioso, porque Lula não é apenas presidente do PT, seu governo tem uma base ampla.
Lula quer reagrupar base
Lula concorda com essa avaliação, mas disse estar agora preocupado em reagrupar a base no Congresso. No feriado prolongado, o presidente ficou na Granja do Torto, com a família, conversando por telefone com assessores e ministros. Amanhã, ele se reúne com os ministros do núcleo de coordenação de governo para fazer uma avaliação completa do quadro.
Mas, nas avaliações internas, há a preocupação com o fortalecimento do PSDB, principalmente com uma candidatura do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para presidente em 2006. Em contrapartida, o governo avalia que Lula continua com sua popularidade em alta e em plenas condições de se reeleger.
¿ Em meio às vitórias, há uma ou outra insatisfação. Mas nada que não seja superado ¿ disse Aldo Rebelo.
Segundo Aldo e Campos, o presidente deve receber os prefeitos eleitos, começando pelos aliados. Ontem, o próprio Lula tomou a iniciativa de aproximação, ao pedir em seu programa quinzenal de rádio que eles ajudem a implantar e fiscalizar o programa Bolsa Família.
Na próxima semana, Lula deve se reunir com os prefeitos eleitos do PSB e com o prefeito eleito de Salvador, João Henrique (PDT), que já manifestou desejo de encontrá-lo. Não há consenso no Palácio do Planalto sobre como se relacionar com o PSDB do prefeito eleito de São Paulo, José Serra.
¿ A eleição acabou e todos devem descer do palanque. Há questões de interesse de São Paulo. Alckmin já esteve em duas comitivas de Lula e o relacionamento sempre foi muito bom ¿ disse Campos.