Título: Brasil é 4.º melhor para investimento
Autor: Jamil Chade
Fonte: O Globo, 06/09/2005, Economia & Negócios, p. B4

Em um levantamento feito pelas Nações Unidas (ONU) com empresas multinacionais e analistas de mercado, o Brasil aparece como um dos locais mais atraentes para se investir em 2005 e 2006. O País aparece na quarta posição na preferência dos analistas e na quinta na escolha das multinacionais. A classificação neste ano contrasta com o levantamento de há pouco mais de um ano com os mesmos analistas e empresas. Na ocasião, não aparecia nem entre os dez mais atraentes.

A lista deste ano é encabeçada pela China e foi feita a partir de levantamentos com as 325 maiores multinacionais, 75 especialistas e 158 agências de promoção de investimentos.

No geral, a ONU acredita que o fluxo de investimentos diretos no mundo continuará a crescer no curto e médio prazos, ainda que de forma cautelosa e depois de acentuada queda nos primeiros anos desta década. A retomada será guiada pela atração dos mercados emergentes.

Na avaliação de um dos responsáveis pelo levantamento, James Zhan, diretor do Departamento de Investimentos Diretor da Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad), o desempenho do Brasil este ano se explica pela confiança do setor privado e dos analistas nos fundamento da economia.

"A estabilidade relativa da economia do País vem causando ótima impressão", afirmou Zhan. Segundo ele, o fato de nem a crise de corrupção nos últimos meses ter afetado de forma profunda as finanças do Brasil dá ainda mais confiança aos investidores de que a economia está "na direção certa".

Outros fatores que contribuem para a atração do Brasil é o tamanho de seu mercado e seus recursos naturais. Esses dois elementos, porém, existiam já quando o Brasil nem sequer aparecia entre os principais destinos de investimentos, o que prova, segundo a Unctad, que o principal motivo da posição do País no ranking é mesmo sua situação econômica.

Brasil e China não são os únicos mercados emergentes a aparecer na lista da ONU. A entidade aponta que a atenção dos investidores parece estar se dirigindo para novos mercados. Metade dos dez locais mais citados por empresas estão fora dos países ricos. A Ásia e o Leste Europeu são as duas regiões com as melhores perspectivas, enquanto os latino-americanos devem manter a retomada de investimentos.

A China é o local mais atraente para se investir para 87% das empresas e 85% dos analistas. A lista é seguida pelos Estados Unidos, principal polo de atração entre os países ricos. Índia, Rússia e Brasil aparecem com destaque.

Quanto à origem dos investimentos, as agências apontam os americanos como maior fonte de fluxos, seguidos pelo Reino Unido, pela Alemanha e a China. O Brasil também aparece entre os 15 primeiros nessa lista, com África do Sul, Índia, Malásia e Coréia do Sul.

Entre os especialistas e empresas, mais da metade aposta em um aumento do fluxo de investimentos em 2005 e 2006. Para 81% das agências de promoção de investimentos, não há dúvida de que os fluxos vão ser incrementados.

Ainda assim, o volume de investimentos dependerão do setor. No caso de serviços de informática, turismo e transporte, as perspectivas são positivas, assim como na produção de equipamentos eletrônicos e máquinas. No setor primário, mineração e petróleo serão as principais áreas de investimento.

Para analistas e empresas, aquisições e fusões serão os principais motores para o aumento do fluxo de investimentos até o próximo ano. Já as agências de promoção de investimentos acreditam que a grande parte dos recursos irá para novos projetos. O que todos concordam é que a produção será realocada para novos mercados fora dos países de origem das empresas.

Questões como protecionismo, baixo índice de crescimento nos países ricos, instabilidade financeira, terrorismo, volatilidade do preço do petróleo e de outras commodities podem ser ameaças ainda a essa retomada dos investimentos em 2005 e 2006.