Título: INVESTIDORES JÁ ESPECULAM SOBRE ELEIÇÕES 2006
Autor: Helena Celestino e José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 26/09/2005, Economia, p. 17

Estudo da Fitch Ratings prevê reeleição de Lula ou governo do PSDB. Meirelles diz que austeridade vai continuar

WASHINGTON. Os investidores internacionais, embora preocupados com a corrida eleitoral de 2006, continuam acreditando que os escândalos políticos no Brasil não chegarão a contaminar a economia. Além disso, apostam numa continuidade da atual política, seja qual for o resultado da eleição presidencial do ano que vem, segundo uma avaliação feita pela Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo.

De acordo com o estudo, divulgado ontem em Washington num evento paralelo à reunião anual conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), o resultado mais provável das eleições, na previsão dos investidores, seria a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a eleição de um candidato do PSDB.

O estudo mostrou, ainda, que mesmo no caso extremo de um impeachment de Lula nos próximos meses, os investidores continuariam confiando no país. O único cenário que poderia perturbar tal credibilidade seria ¿a eleição de um candidato populista, como Garotinho, do PMDB, que buscasse uma política diferente¿. Ou o que a Fitch Ratings definiu como ¿Lula II¿, que seria a reeleição de ¿um Lula heterodoxo¿.

¿ O que procuramos saber é se as políticas macro não mudam. Esse é o nosso cenário básico, seja com vitória do PSDB ou de Lula, continuariam as políticas ortodoxas. Em caso de vitória do PSDB, pode haver um pouco mais de polarização, porque algumas pessoas poderão achar que Lula foi tirado por uma conspiração da elite. Mas não há preocupação em relação a isso ¿ disse Roger Scher, diretor-gerente de América Latina, da Fitch Ratings.

A conclusão final do estudo, que representa a opinião da maioria dos investidores internacionais, foi a de que ¿quem quer que assuma a Presidência terá pela frente uma série de reformas necessárias, incluindo a tributária e a do orçamento, a da previdência , a trabalhista e a política¿.

A própria Fitch Ratings antecipou que poderia melhorar a classificação de risco do Brasil, tanto com a reeleição de Lula quanto com a vitória de alguém do PSDB. ¿Apesar do clima de agitação e incertezas, a Fitch acredita que a questão básica no Brasil é a continuidade da política macro, com uma sólida meta de inflação e superávit primário, e câmbio flutuante¿.

Meirelles defende vantagens da austeridade fiscal

Depois de discursar num almoço oferecido pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), que reúne os maiores bancos privados do mundo, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi perguntado pelos banqueiros sobre como o ano eleitoral poderia influenciar a economia do país. Ele disse que nada mudaria:

¿ Estão cada vez mais claras para a sociedade brasileira as vantagens da política de austeridade fiscal, que vem dando bons resultados e fazendo a inflação cair. O cenário mais provável é que a austeridade fiscal continue num próximo governo ¿ disse Meirelles.

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