Título: DEFLAÇÃO NA CESTA DA 3ª IDADE
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 08/10/2005, Economia, p. 27

Índice especial terminou o terceiro trimestre em -0,19%, segundo FGV

Os preços da cesta de produtos e serviços consumidos pela população da terceira idade recuaram no terceiro trimestre. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC3i), divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa apresentou deflação de 0,19% entre julho e setembro, apenas 0,03 ponto percentual acima do IPC-Brasil. Foi uma forte variação em relação ao segundo trimestre, quando o IPC3i fechou em 1,83% positivo - no ano, acumula 3,46%.

O item que mais subiu na cesta de compras dos idosos foi habitação, com alta de 1,38% no trimestre. O destaque foi a tarifa de telefonia fixa, que aumentou 0,31% no período. A maior queda de preços foi registrada no grupo alimentação: -3,43%.

A proximidade entre o IPC3i e o IPC-BR é explicada pela pouca variação de preços em itens que poderiam diferenciar os dois índices, como medicamentos e passagens de ônibus. A inflação da terceira idade é medida com base na última Pesquisa de Orçamentos Familiares, de 2002 e 2003. A partir daí, a FGV construiu o perfil de consumo das famílias nas quais pelo menos metade dos componentes tem mais de 60 anos e renda mensal de um a 33 salários-mínimos.

Dessa maneira, embora os itens que compõem o IPC3i sejam os mesmos que fazem parte do IPC-BR, eles ganham pesos diferentes na hora de calcular a inflação. Para a população da terceira idade, as despesas médicas representam 15,05% dos gastos, enquanto para a população geral, essa proporção é de 10,05%. Já no item educação, leitura e recreação, acontece o inverso: enquanto a população gasta mais (8,54% das despesas), os idosos destinam menos dinheiro (apenas 4,36% do orçamento).