Título: Bolsa Família é a principal arma de Lula para a campanha da reeleição
Autor: Isabel Braga/Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 09/10/2005, O País, p. 4
Projeto atinge 7,5 milhões de famílias e quer chegar a 11,2 milhões em 2006
BRASÍLIA. Criticada por todos os lados no início do governo, a política social já aparece como uma das principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de reeleição em 2006. Sem alarde, o programa Bolsa Família avança e já atingiu a marca de 7,5 milhões de famílias atendidas. Em agosto, isso significou o repasse de R$488 milhões para quem vive nos grotões e na periferia das grandes cidades.
O impacto eleitoral do Bolsa Família assusta a oposição. Ainda mais porque o programa vai crescer muito até a eleição. Em dezembro, atingirá 8,7 milhões de beneficiados, chegando a 11,2 milhões ao fim de 2006.
Cada família atendida tem, em média, quatro pessoas
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, cada família atendida tem em média quatro pessoas. Em agosto, portanto, o Bolsa Família já atingia um universo de 30 milhões de pobres. Em 2006, serão cerca de 50 milhões.
Em termos de dinheiro, o valor total repassado em 2005 ultrapassará R$6 bilhões, se consideradas as transferências de programas remanescentes como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, cujos beneficiários ainda migram para o Bolsa Família, a principal vitrine da política social de Lula.
O público-alvo são famílias com renda mensal per capita inferior a R$100 por mês. Justamente a faixa da população em que o presidente obtém os seus melhores índices de aprovação após a crise. Mais do que isso: nessa faixa da população é que foi registrada a menor queda na aprovação do governo após as denúncias de corrupção.
Na pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope em março, 39% da população com renda familiar de até um salário-mínimo consideravam o governo bom ou ótimo. Em setembro, esse percentual caiu apenas um ponto. A avaliação regular do governo caiu quatro pontos, de 37% para 33%, e a ruim aumentou cinco pontos percentuais: passou de 20% para 25%.
Acima de dez mínimos, oscilação maior
Na população acima de dez salários-mínimos, a oscilação foi bem maior. A avaliação ótimo ou boa do governo caiu 23 pontos entre março e setembro, passando de 48% para 25%. Já a ruim subiu 24 pontos e foi de 20% para 44%.
- A relação é direta. Eleitores beneficiados pelos programas sociais são mais favoráveis ao governo - diz o presidente do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.
Em dezembro de 2004, portanto antes do escândalo do mensalão, uma pesquisa do Sensus feita para a Confederação Nacional do Transporte (CNT) captou a predisposição pró-Planalto do eleitorado beneficiado pela rede de proteção social. O índice de aprovação do governo chegava a 73% entre quem era atendido, caindo para 62% no grupo de eleitores que nem mesmo conhecia os programas governamentais.