Título: Oposição antecipa que vai evitar críticas ao programa
Autor: Isabel Braga/Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 09/10/2005, O País, p. 5

Tucanos pretendem deixar claro que projeto será mantido

BRASÍLIA. Líderes de oposição reconhecem o peso eleitoral do Bolsa Família na disputa pelo Palácio do Planalto e admitem que falar mal do programa não será o melhor caminho para ganhar votos em 2006. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman, vai mais longe e diz que a oposição deve deixar claro que dará continuidade ao Bolsa Família. Até para evitar que o governo explore a idéia de que uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levaria ao fim do programa.

Articulador da pré-candidatura presidencial do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), Goldman acusa o PT de explorar eleitoralmente os programas sociais. Diz que o partido de Lula fez isso no ano passado, na disputa pela prefeitura de São Paulo, em relação a programas municipais.

- A distribuição da bolsa acaba funcionando como moeda de troca: "Estamos lhe dando isso, você nos dê o voto". A ex-prefeita Marta Suplicy fez muito isso em São Paulo. Ela dizia que, se Serra ganhasse, iria acabar com o programa. As pessoas têm medo, ficam em dúvida. Em 2006, vão fazer a mesma coisa, não têm limite ético - afirma Goldman.

Tucano já ensaia discurso para campanha

Ensaiando o discurso de campanha, o líder do PSDB lembra que o Bolsa Família foi criado a partir de programas iniciados no governo Fernando Henrique. O problema, raciocina ele, é que muita gente não sabe disso. Ainda mais que a população de baixa renda tem baixa escolaridade e menos acesso a informação.

O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), vê no Bolsa Família a ponte para Lula chegar ao segundo turno após a queda de popularidade provocada pelas denúncias de corrupção envolvendo o PT e o governo.

- Tendo perdido todas as bandeiras, o governo só tem uma âncora, que é esse negócio do Bolsa Família, um programa meramente assistencial. Terá algum impacto. Hoje a popularidade que Lula ainda tem nos grotões do Norte e do Nordeste se deve a esse programa - diz Aleluia. - O governo Lula é uma nau sem rumo ancorada neste programa. É suficiente para que ele possa tentar ir ao segundo turno, mas não deve garantir sua reeleição porque a indignação das pessoas que querem mudar o Brasil é maior.

Patrus lembra parcerias com governos e prefeituras

Responsável pela execução do programa, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, diz que a política social está acima das disputas eleitorais. Ele cita as parcerias entre a União e os governos estaduais e municipais de oposição, afirmando que todos poderão obter dividendos políticos à medida que o Bolsa Família avance. Patrus, porém, admite que Lula ganha votos quando os programas sociais mostram resultados.

- É claro que pode ter retorno eleitoral - diz ele. (Isabel Braga e Demétrio Weber)

Legenda da foto: PATRUS: PARA o ministro, política social está acima de disputas eleitorais