Título: PRIVATIZAÇÕES ALCANÇARAM 52 ESTATAIS
Autor: Mariza Louven
Fonte: O Globo, 09/10/2005, Economia, p. 36

Leilões renderam 34 bi. Estados ainda têm empresas de saneamento e energia

As privatizações de estatais estaduais ocorridas entre 1996 e 2004 resultaram na venda de 40 empresas e de participação minoritária de outras 12. No conjunto, a alienação de ativos nos setores de energia, gás e saneamento, telecomunicações, financeiro e transporte rendeu R$34,9 bilhões. Restou, basicamente, um grande grupo de empresas de saneamento e algumas poucas estatais de energia elétrica sob controle do poder público.

- É importante retomar as privatizações do setor elétrico, completar a dos bancos e partir para a área de saneamento - opina o economista Carlos Geraldo Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O setor de energia elétrica respondeu por 74% da receita total das privatizações estaduais. Foram desestatizadas 20 empresas, a maioria de distribuição, por R$25,1 bilhões. E repassadas ao setor privado participações minoritárias de outras sete estatais, por R$2,8 bilhões.

Desestatização ajudou a abater dívidas

A maior privatização estadual foi a da Eletropaulo Metropolitana. Vendida por R$2 bilhões, representou ainda o cancelamento de R$1,4 bilhão em dívidas. Com uma área de concessão abrangendo 24 municípios e quatro milhões de consumidores, a Eletropaulo tinha 13% do mercado de distribuição brasileiro. Foi adquirida sem ágio pela Light.

No Rio de Janeiro, a principal privatização na área de energia foi a da Cerj, que operava 59 municípios. A estatal foi leiloada por R$605 milhões, com um ágio de 30,3%. Sua transferência para o setor privado representou ainda o cancelamento de dívidas de R$360 milhões. Hoje, a empresa, que atende aos municípios do interior do Estado do Rio, chama-se Ampla.

As cinco empresas do setor de gás e saneamento leiloadas pelos estados representaram receita de R$3,93 bilhões, 10% do total. A principal desestatização, neste segmento, foi a da paulista Comgás, com receita de R$1,65 bilhão. Foram vendidas, ainda, participações minoritárias em duas empresas do setor, que renderam R$ 657 milhões.

Nas telecomunicações, cuja privatização atingiu R$1,9 bilhão, a única empresa estadual leiloada foi a Companhia Riograndense de Telecomunicaçõs. A venda de mais duas participações minoritárias resultou em receita adicional de R$704 milhões.

As cinco estatais do setor financeiro leiloadas - quatro bancos e uma seguradora- representaram R$3,2 bilhões. O maior leilão foi o do Banespa, que rendeu R$1,6 bilhão. A participação minoritária do Banco do Estado de Santa Catarina resultou em receita adicional de R$31 milhões.

Flumitrens e Metrô do Rio são destaque em transportes

No setor de transportes, foram vendidas cinco empresas, no valor total de R$711 milhões, com destaque para o Metrô do Rio de Janeiro e para a Flumitrens. O Metrô foi vendido com ágio de 921,22% para o consórcio Opportrans, formado pela Sorocaba Participações, que ficou com 50% do total e pela argentina Cometrans, outros 50%. Já a Flumitrens foi vendida por R$280 milhões, um ágio de 671,42%. Nesse setor, houve também concessões de rodovias em diversos estados. (Mariza Louven)