Título: BERZOINI CRITICA PSDB; PONT ATACA PALOCCI
Autor: Toni Marques/Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 10/10/2005, O País, p. 3
Candidato do Campo Majoritário tenta antecipar duelo eleitoral de 2006 com tucanos
SÃO PAULO e PORTO ALEGRE. Candidatos a presidente do PT no segundo turno, o deputado Ricardo Berzoini (SP) e Raul Pont assumiram discursos ofensivos após votarem. Mas Berzoini criticou o PSDB, antecipando o duelo da eleição em 2006, ao comentar as denúncias contra o PT e o governo Lula. E Pont atacou a política de alianças e a política econômica de Lula. Berzoini afirmou que partidos de oposição também fizeram uso de caixa dois.
- Não se fala que o presidente nacional do PSDB (Eduardo Azeredo) usou caixa dois, o ex-ministro Roberto Brant, do PFL, usou caixa dois, o ex-líder do PSDB na Câmara, Custódio Mattos, usou caixa dois. É só com os petistas a perseguição? Vamos tratar todo mundo de maneira isonômica no Congresso e, se houver punição, que seja para todos - queixou-se o deputado.
Berzoini: "Crise é do sistema"
Berzoini também tentou dividir o ônus da crise política:
- Esta não é uma crise do PT. É uma crise do sistema eleitoral brasileiro, por isso a necessidade do financiamento público de campanha, de nós termos uma fidelidade partidária rigorosa - afirmou, dizendo ter esperanças de que a lei eleitoral seja mudada até o fim do ano.
Berzoini votou nas eleições diretas do PT às 9h15m, em uma escola da periferia paulistana. Cumprimentou os eleitores e deu entrevistas. Brincou que a agenda política seria concluída em Brasília, mas com um compromisso com a mulher e os filhos.
- Trabalhei demais. Hoje vou ficar com minha mulher e meus filhos.
Candidato das correntes de esquerda do PT, Pont negou ontem que, com sua vitória, o partido vá fazer oposição ao governo. Mas defendeu mudanças na política econômica. Ele argumentou que ela decorre das alianças do governo para ter maioria no Congresso e não tem relação com as bases do partido.
- Cento e setenta mil pessoas (que votaram nos candidatos de oposição no primeiro turno das eleições do PT) votaram contra a política econômica, porque ela está sendo levada por caras como o Meirelles (presidente do Banco Central), o Palocci (ministro da Fazenda), que estão comprometidos com um projeto que não é o nosso. Isso é fruto do preço que nós pagamos por essas alianças - disse Pont.
Segundo ele, uma política de alianças tem que ser construída antes do governo, na eleição, quando se estrutura o projeto de governo.
- Quem elegeu o Lula foi a frente de esquerda tradicional, mais o PL. E com um programa. Esses partidos entraram depois, por um problema do sistema eleitoral.
Pont defendeu uma sintonia com os demais partidos de esquerda como o PSTU e o PSOL. Caso contrário, lamentou que se corra o risco de "devolver o governo à direita".
Depois de votar, o atual presidente do partido, Tarso Genro, defendeu em Porto Alegre que a reeleição do presidente Lula seja baseada em um programa "mais afinado com o projeto do PT". Em seguida, disse que não há desafinamento entre o atual governo e o programa do partido.
- Está afinado, sim. Só que esse processo de afinamento tem de ir se aprofundando cada vez mais em direção à questão da justiça social e da igualdade e do crescimento ainda mais acelerado - disse Tarso no diretório do PT, em Porto Alegre.
* Especial para O GLOBO
Legenda da foto: RAUL PONT acompanha o voto de correligionários no Sul