Título: MAIS PRESSÃO SOBRE O CÂMBIO CHINÊS
Autor: Eliane Oliveira/Aguinaldo Novo/Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 11/10/2005, Economia, p. 22
Secretário do Tesouro dos EUA tem rodada de negociação no país
PEQUIM. O secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, chega hoje a Xangai disposto a pressionar o governo da China a acelerar as mudanças que buscam tornar o câmbio do país mais flexível. Snow terá argumentos de sobra para discutir não apenas com os empresários e burocratas chineses, mas também com os representantes dos Ministérios das Finanças do G-20, que se reúnem no dia 15 em Xianghe, cidade a 50 quilômetros de Pequim. Afinal, o Ministério do Comércio da China informou que o superávit comercial do país ultrapassará US$100 bilhões este ano, um recorde histórico a ser alcançado graças a um salto de 30% nas exportações.
Snow, que passa dois dias em Xangai antes de rumar para a reunião do G-20 perto de Pequim, tem dito que prefere uma tática de negociação com a China menos traumática que as salvaguardas comerciais em negociação entre os países. Além dos EUA, a China negocia salvaguardas também com a União Européia e o Brasil.
- Acho que seremos mais bem-sucedidos se adotarmos o tom mais quieto da diplomacia financeira - disse ele, ainda nos EUA.
O Banco Popular da China, o BC local, valorizou em 2,1% o yuan frente ao dólar em julho deste ano e mudou a referência do câmbio para uma cesta de moedas. Desde então, o yuan se valorizou 0,22% frente ao dólar, sendo o câmbio cotado hoje a cerca de oito yuans para cada dólar. Mas muitos países consideram este ritmo de flexibilização lento demais para evitar a inundação dos países com os supercompetitivos produtos chineses. Em entrevista ao site da rede de TV americana NBC, Snow resumiu sua missão na China:
- Pressionaremos os chineses na questão do câmbio.