Título: Superpopulação aumenta risco de tragédias
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Fonte: O Globo, 11/10/2005, O Mundo, p. 30

Cientistas dizem que novo sismo mais forte que o de sábado pode ocorrer na área, cada vez mais povoada

NOVA YORK. O aumento do número de pessoas em áreas de risco eleva consideravelmente o potencial de destruição de catástrofes naturais como o terremoto da Ásia do último sábado e também a passagem do furacão Stan pela América Central e o México na semana passada.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o número de vítimas de catástrofes naturais dobrou na década de 90 em relação aos anos 70. Mas o aumento não está relacionado à maior ocorrência de desastres, mas sim à maior concentração populacional em áreas vulneráveis como a Ásia, uma das zonas de maior risco de tempestades, terremotos e inundações do mundo.

Terremoto na região já era esperado há quatro anos

Grandes terremotos - de magnitude 8 ou mais - ocorreram na região do Himalaia em 1803, 1833, 1897, 1905, 1934 e 1950. Nos últimos 50 anos, entretanto, a região não registrou nenhum tremor que chegasse perto dos 7,6 graus do último sábado.

A calmaria deu uma sensação falsa de segurança para a crescente população que vive na região. Mas especialistas já haviam alertado que um novo e forte tremor era iminente há quatro anos.

- Nós sabíamos que já estava atrasado - disse, em entrevista ao "New York Times", Peter Molnar, da Universidade do Colorado.

Molnar é co-autor de um estudo publicado em 2001 na "Science" que analisava a história dos terremotos do Himalaia e revelava o acúmulo de pressão tectônica na região de encontro de placas.

"Diversas evidências mostram que um, ou mais de um, grande terremoto já deveria ter ocorrido em uma grande extensão do Himalaia, ameaçando milhões de pessoas na região", apontava o estudo.

- Pode não acontecer nada pelos próximos dez ou 20 anos, mas, se ocorrer amanhã, não será uma surpresa - disse Steven G. Wesnousky, diretor do Centro de Estudos Neotectônicos da Universidade de Nevada ao "New York Times". - Além do mais, terremotos como o do último sábado são relativamente pequenos comparados aos grandes tremores que a região é capaz de produzir. Isso é o mais assustador.

'Tremor como o de sábado é pequeno comparado aos que a região pode produzir. Isso é assustador'

STEVEN G. WESNOUSKY

Centro de Estudos Neotectônicos

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LUIZ OTÁVIO ORTIGÃO

Embaixada do Brasil em Islamabad

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