Título: PROFESSORES EM GREVE TERÃO REAJUSTE MAIOR
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 12/10/2005, O País, p. 14
Lula autoriza aumento; senadores lançam manifesto propondo pacto pela educação
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou ontem o Ministério da Educação a aumentar a proposta de reajuste salarial para os professores em greve nas universidades federais. O MEC propusera aumentos de 9% a 11%, o que exigiria um gasto adicional de R$395 milhões. Lula determinou que esse gasto extra atinja R$500 milhões, a partir de janeiro, mas os novos índices de reajuste só serão decididos ao longo da semana. O movimento grevista começou em agosto e já atinge 32 universidades.
Lula reuniu-se com o ministro interino da Educação, Jairo Jorge, e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, numa tentativa de melhorar a proposta anterior, rejeitada pelos professores em reunião do MEC com a CUT e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior. Ao fim do encontro, Jairo Jorge disse acreditar que os novos valores serão suficientes para que os professores voltem ao trabalho nos próximos dias. Os novos índices serão apresentados aos docentes esta semana.
Já no Senado, um manifesto inédito, assinado pelos 81 parlamentares, propôs ao país um pacto pela educação. O documento pede prioridade absoluta às metas descritas no Plano Nacional de Educação, aprovado em 2000 e conclama a sociedade a desencadear esforços para que o setor seja visto como solução, não como problema.
¿Se quisermos associar democracia e modernidade, ou o país como um todo, toma a decisão de priorizar a educação como tarefa inadiável ou não nos incluiremos na velocidade transformadora da História¿, afirma o texto, de iniciativa dos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e José Jorge (PFL-PE).
O manifesto foi lançado em sessão especial, com a presença do ex-representante da Unesco no Brasil Jorge Werthein. Entre as metas que propõe estão o atendimento de pelo menos 50% das crianças do país em creches e 80% em pré-escolas; o acesso universal de crianças e adolescentes ao ensino fundamental e médio, e dos jovens à educação profissional em nível básico.
Mercadante lembrou que a intenção do manifesto é mostrar que a educação não é apenas um problema do governo, mas de Estado:
¿ Não se pode aceitar a tese de que a educação é mero gasto social, sem retorno para o indivíduo e a coletividade ¿ afirmou o senador.
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