Título: FITCH RATINGS PODE ELEVAR NOTA DO PAÍS
Autor: Patricia Eloy e Erica Ribeiro
Fonte: O Globo, 12/10/2005, Economia, p. 23
Dólar volta a cair apesar de novo leilão do BC. Moeda já vale R$2,234
A agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou ontem a perspectiva da nota de crédito do governo brasileiro de estável para positiva. Na prática, isso significa que a nota do país ¿ BB -, considerada especulativa ¿ pode ser elevada num prazo de 12 a 24 meses, explicou ontem o diretor-executivo da Fitch no Brasil, Rafael Guedes.
¿ A alteração na perspectiva significa que as chances de a nota do Brasil subir nos próximos dois anos é superior a 50% ¿ disse Guedes.
A mudança garantiu a manutenção do otimismo do mercado nos últimos três dias: apesar de um novo leilão de compra pelo Banco Central (BC), o dólar caiu 0,22%, cotado a R$2,234, próximo à mínima do dia, de R$2,232. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 1,11%, atingindo 30.614 pontos. O risco-Brasil ficou estável em 373 pontos centesimais.
Em comunicado, a Fitch explicou que a mudança reflete as perspectivas favoráveis da balança de pagamentos brasileira e da dinâmica da dívida externa do país, além do enorme avanço no controle das pressões inflacionárias. A agência também destacou que, apesar da crise política, o comprometimento do país com as políticas macroeconômicas não foi afetado.
Ontem o BC voltou a comprar dólares acima da cotação praticada pelo mercado no momento do leilão (R$2,235): adquiriu moeda a R$2,237. Estima-se que tenha comprado de US$20 milhões a US$30 milhões.
O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, disse que o grau de investimento concedido anteontem à mineradora pela Standard & Poor¿s coloca a companhia em posição mais competitiva. Agnelli destacou que, desde que a Moody¿s deu o primeiro grau de investimento à Vale, o custo de capital da companhia caiu de 10% para 8,5%:
¿ A diferença significa para a Vale cerca de R$9 bilhões que acabam somando ao valor de mercado da companhia, que hoje é de US$50 bilhões.