Título: POLÍCIA INDICIA EMPRESÁRIOS POR DESABAMENTO
Autor: Ismael Machado
Fonte: O Globo, 14/10/2005, O País, p. 12

Seguradora não pagou apólice de prédio que caiu em Pernambuco

RECIFE. Um ano após o desabamento do edifício Areia Branca, no qual morreram quatro pessoas e 24 famílias ficaram desabrigadas, a Polícia Civil de Pernambuco indiciou ontem toda a diretoria da Seguradora Mapfre-Vera Cruz, por ter se recusado a pagar a apólice de R$3 milhões aos moradores. A seguradora alega que as cláusulas do contrato com o condomínio não cobrem esse tipo de sinistro. Os ex-moradores brigam na Justiça há um ano para receber cerca de R$125 mil a que cada família teria direito.

Como não conseguiram, eles prestaram queixa à polícia. Ontem a delegada de Prevenção e Repressão aos Crimes contra o Consumidor, Nely Queiroz, indiciou os sete executivos da Vera Cruz, alegando que eles agiram de má-fé, ao impor cláusulas de difícil entendimento para os clientes. Os diretores da seguradora responderão na Justiça por crimes de estelionato, contra a economia popular e nas relações de consumo.

Foram indiciados Antônio Cássio dos Santos, Hyung Mo Sung, Jabis Alexandre, José Bailone Júnior, Marcos Eduardo dos Santos, Wilson Toneto e Frank Bizok Júnior.

¿ As condições contratuais do seguro estão fora do alcance da inteligência do homem comum. Umas cláusulas dizem umas coisas e outras são contra as mesmas coisas ¿ diz Nely.

Segundo a Vera Cruz, o seguro cobriria implosão do Areia Branca. Mas, na avaliação da seguradora, houve um desabamento, um tipo de sinistro não previsto no contrato.

A advogada da Vera Cruz, Tânia Vaisecher, alegou que nenhum dos três laudos do acidente indicava implosão. Ela disse que 90% dos sinistros são pagos e que no caso do Areia Branca as causas do acidente deixam o condomínio fora do pagamento da apólice. Hoje a situação da seguradora pode voltar a se complicar. É que a CPI da Habitação da Assembléia Legislativa concluiu ontem relatório em que aponta que o Areia Branca implodiu.