Título: POLICIAIS SÃO INDICIADOS POR FURTO
Autor: Antonio Werneck
Fonte: O Globo, 14/10/2005, Rio, p. 19
Sete agentes são acusados de desviar cheques apreendidos em rinha
A Polícia Federal pediu a prisão preventiva de sete agentes ¿ que já estão detidos ¿ pelo roubo de 23 cheques durante a Operação Rudis, realizada no ano passado e que levou à prisão o publicitário Duda Mendonça e mais cinco pessoas que estavam numa rinha de galos realizada no Clube Privê Cinco Estrelas. Seis dos agentes são integrantes do Grupo Alfa, suspeito de desviar cocaína da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Ontem, o superintendente da PF do Rio, delegado José Milton Rodrigues, anunciou a conclusão do inquérito, que já foi remetido à Justiça federal. Os sete agentes federais foram indiciados por peculato ¿ roubo praticado por servidor público ¿, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, coação de testemunhas e receptação.
Em dezembro do ano passado, dois meses após a Operação Rudis, diretores do Clube Privê Cinco Estrelas procuraram a Polícia Federal para denunciar o desaparecimento de um talonário de cheques do clube. Foi aberta uma sindicância e as investigações mostraram que foram roubados 23 cheques em branco e assinados pelo responsável pelo clube. Os policiais preencheram e pretendiam sacar R$100 mil no total. Mas conseguiram descontar apenas três cheques, num total de R$17 mil.
Em seu depoimento, prestado na sexta-feira da semana passada, o escrivão Fábio Kair admitiu seu envolvimento com o roubo dos cheques. O ex-chefe do cartório da DRE disse no depoimento ter recebido R$700 do agente Marcel Hamada Grezes, mas alega que não sabia a origem do dinheiro.
No seu depoimento, Fábio disse também que só ficou sabendo do roubo dos talões de cheques ao ouvir uma conversa entre Ivan Maués, Adilson Álbio Vieira e Marcos Paulo da Rocha, todos lotados na DRE e que participaram da operação na rinha. No depoimento, ele diz que o agente Rocha tinha ficado encarregado de repassar os cheques para terceiros, para que os descontassem.
Fábio Kair contou também em seu depoimento à Justiça que os agentes Clóvis Barrouin Mello Neto e André Campos receberam um valor maior do que ele no rateio, apesar de não terem participado da operação.
Além da prisão preventiva ¿ que até ontem à noite ainda não tinha sido decretada ¿, os sete agentes estão cumprindo prisão temporária de 30 dias por envolvimento no roubo dos R$2 milhões da Operação Caravelas.
Dois dos sete agentes ¿ Marcos Paulo da Silva Rocha e Fábio Kair ¿ estão também no inquérito que apura um duplo homicídio em março deste ano.