Título: MELHORA A EXPECTATIVA DA INDÚSTRIA
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 14/10/2005, Economia, p. 22
Segundo FGV, 21% dos entrevistados consideram ritmo atual de negócios bom
SÃO PAULO. Depois de seis meses de demanda em queda e estoques em alta, o setor industrial começa a dar sinais de recuperação. Prévia da Sondagem Trimestral da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra uma melhora na avaliação dos empresários do atual ambiente de negócios no país. As perspectivas do setor para os próximos meses também mudaram e são mais positivas agora do que na sondagem anterior, feita em julho.
Baseada em dados coletados entre 29 de setembro e 10 de outubro, a nova pesquisa mostra que 21% dos entrevistados consideram bom o ritmo atual dos negócios, contra 22% que o consideram ainda fraco. Um avanço em relação a julho, quando apenas 14% dos empresários avaliavam positivamente a situação dos negócios, e os descontentes eram 37%.
¿ Houve uma mudança de tendência da pesquisa, que mostrava uma deterioração desde outubro de 2004, embora essas avaliações ainda estejam piores do que no ano passado ¿ observou o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo.
Um ano atrás, 41% dos entrevistados consideravam boa a situação e apenas 6%, ruim. Mas os indicadores de demanda e estoques já são mais animadores. A parcela dos empresários que dizem estar trabalhando com estoques excessivos diminuiu de 19% em julho para 13%. Melhorou também o nível de demanda. Passou de 9% para 11% o percentual de empresários que dizem que as vendas estão mais fortes; e caiu de 34% para 21% os que consideram a demanda fraca.
Setor espera piora na demanda do exterior
A ligeira recuperação de vendas e a perspectiva de novas quedas nos juros fizeram melhorar as perspectivas para este último trimestre. Entre os executivos das 417 empresas pesquisadas pela FGV, 39% apostam no aumento de demanda, contra 23% que esperam queda. As projeções para as exportações, porém, continuaram piorando. No quesito demanda externa, caiu de 23%, em julho, para 21% a parcela de empresários que aposta em melhora, e aumentou, de 30% para 34%, o grupo dos que acham que vão exportar menos ¿ o pior índice desde o ano 2000.
¿ A boa notícia é que as perspectivas para o mercado interno podem compensar eventuais perdas nas exportações ¿ disse Campelo.
Melhorou a perspectiva de emprego no setor: 24% das empresas disseram que pretendem contratar mais do que demitir (eram 21% antes), e só 16% as que pretendem demitir mais (22%).