Título: SOCIÓLOGO: PAÍS MODERNO VOTA `SIM¿
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Fonte: O Globo, 15/10/2005, O País, p. 5

`Maniqueísmo não é adequado ao debate¿, diz deputado defensor do `Não¿

Em debate sobre o referendo das armas na Associação Comercial do Rio, o sociólogo Antônio Rangel Bandeira, do Viva Rio, disse que o voto ¿Não¿ representa o Brasil arcaico, machista e subdesenvolvido, enquanto o ¿Sim¿ representa o país moderno e democrata. Esse e outros argumentos foram rebatidos por debatedores como o deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), o ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto e o desembargador Antonio Carlos Amorim, os três favoráveis ao comércio de armas. Fleury rebateu o discurso de Bandeira.

¿ Acho que a discussão está sendo distorcida. Não é a bancada da bala contra os defensores da vida, o arcaico contra o moderno. Esse maniqueísmo não é adequado ao debate ¿ disse Fleury.

Sociólogo: Defensores de armas desprezam ciência

Para o sociólogo, os defensores do comércio de armas desprezam o conhecimento científico. Bandeira disse que o tema ainda é obscuro no país.

¿ O universo das armas é obscuro para que não haja controle mesmo. O deputado Alberto Fraga criticou as pesquisas do SUS, dizendo que a instituição tem é que tratar da saúde. O conhecimento tem que enfrentar o pensamento do atraso ¿ desabafou Bandeira.

Ele disse ainda que a ilusão de segurança da arma é um pensamento subdesenvolvido:

¿ Antes do ladrão, quem pode encontrar a arma em casa é o seu filho, o seu neto.

Fleury elogiou os pontos do estatuto que se referem à criminalização do porte ilegal de armas e à restrição da compra. O deputado disse que a luta agora será pela implantação do cadastro de registro de armas.

¿ Dizer que o grande fornecedor de armas para o bandido é o cidadão de bem é uma falácia. Para se adquirir uma arma legal, leva-se meses, mas é possível comprar na ilegalidade em menos de 24 horas.

Para Pazzianotto, o debate sobre o referendo é equivocado porque a sociedade tem problemas mais relevantes a resolver, como favelização e a falta das reformas trabalhista e sindical. Segundo ele, o referendo não vai resolver nada.

¿ Quero ter o direito de adquirir arma legalmente. Sem querer ofender a cidade, é o que leio nos jornais, mas no Rio em algumas esquinas se vende fuzis ilegalmente.

O desembargador João de Deus Menna Barreto foi o único participante do debate que não declarou seu voto. Ele se disse indeciso diante da complexidade da questão e citou argumentos pró e contra o comércio de armas. Barreto criticou também a formulação da pergunta do referendo.