Título: PESQUISA PROVOCA MUDANÇA NA CAMPANHA DO `SIM¿
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Fonte: O Globo, 15/10/2005, O País, p. 5

Novos comerciais da frente Brasil sem Armas terão estatísticas inéditas de mortes em vez de depoimento de artistas

BRASÍLIA. A reviravolta nas pesquisas sobre o referendo coincide com um troca-troca no comando da frente parlamentar Brasil Sem Armas, responsável pela campanha do ¿Sim¿. Agora em ligeira desvantagem nas intenções de voto, a campanha prepara às pressas uma mudança de rumo para tentar virar o jogo nos últimos cinco dias de propaganda gratuita de rádio e TV. Em lugar de artistas, os novos comerciais vão mostrar estatísticas inéditas de mortes provocadas por armas de fogo, inclusive de crianças, além dos lucros das empresas que estariam por trás da campanha do ¿Não¿.

¿ Agora vamos mostrar toda a destruição que as armas provocam na sociedade e o interesse da indústria que lucra com a morte de inocentes. Será um discurso mais direto, vamos apresentar os argumentos com mais clareza ¿ afirmou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), secretário da frente parlamentar pró-voto Sim.

Na reta final para o referendo, o publicitário Luiz Gonzales assume no lugar de Paulo Alves, que não resistiu às críticas e abandonou o posto esta semana. Gonzales, da GW Comunicação, assinou a campanha vitoriosa de José Serra (PSDB) para a prefeitura de São Paulo. Ele nega que o horário eleitoral da frente contra o comércio de armas será mais agressivo.

¿ Acho que o programa agora está mais jornalístico. Privilegiando a informação. E tentando pôr as coisas em seus lugares: o tema do referendo é arma e munição. Enfim, vamos tratar os assuntos com a clareza que eles merecem. É a mudança principal. A frente do ¿Não¿, embora a favor das armas, não fala sobre elas, nem sobre munição.

Deputado evita criticar marqueteiro demissionário

A mudança foi marcada por muita tensão, mas o deputado Raul Jungmann evitou criticar a equipe de marketing anterior. Ele, no entanto, reconhece erros na estratégia de comunicação adotada até aqui:

¿ A tentativa de focar diversos ângulos ao mesmo tempo tornou a campanha difícil de ser memorizada pelo eleitor.

Entre as novidades, a campanha do ¿Sim¿ vai confrontar os dados de lucros dos fabricantes de armas com os gastos do governo com saúde pública, mais especificamente com o tratamento de pacientes com ferimentos provocados por armas de fogo. Essas informações já foram ao ar ontem.

Eufóricos com a virada, os coordenadores da campanha do ¿Não¿ dizem que os comercias vão manter até o fim a mesma linha.

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