Título: CORRÊA JÁ TEM PLANO B CASO PERCA MANDATO
Autor: Maria Lima e Isabel Braga
Fonte: O Globo, 15/10/2005, O País, p. 15

Já Severino, que renunciou, deve ter problemas para voltar

BRASÍLIA. Conhecido pelas campanhas milionárias em Pernambuco, o presidente do PP, Pedro Corrêa, diz que vai enfrentar o processo de cassação. Caso perca o mandato, já tem um plano B: lançar o filho, Fábio Corrêa, para tentar ocupar sua vaga na Câmara. O problema é que Fábio, como o pai, também foi citado no escândalo da máfia dos combustíveis.

¿ Isso poderia acontecer sim. Eu tenho muita ligação com o PP e sempre participei ativamente das eleições de meu pai. Mas ele acha que não será cassado e o candidato vai ser ele mesmo ¿ diz Fábio.

Pelo menos dois dos três deputados que renunciaram aos mandatos, no rastro dos escândalos dos últimos meses, já estão prontos para iniciar a campanha: Severino Cavalcanti (PP-PE) e Valdemar Costa Neto (SP), presidente do PL. Carlos Rodrigues (PL-RJ), o terceiro que renunciou, disse à época que sairia da política.

Sem mandato e sem o dinheiro das emendas parlamentares ao Orçamento, Severino dificilmente terá os prefeitos para carregá-lo nas costas. Mas espera contar com a ajuda do Ministério das Cidades, onde está instalado Marcio Fortes de Almeida, que chegou lá graças ao poder do então presidente da Câmara. Da mesma forma, Valdemar vai tentar explorar as ações do Ministério dos Transportes, que tem o aliado do PL, Alfredo Nascimento, no comando.

Severino lançaria três candidatos a deputado

Severino tinha grandes ambições: seu projeto para 2006 era lançar o afilhado Eduardo Albuquerque para deputado federal, e os dois filhos ¿ José Mauricio e Ana Catarina ¿ para deputados estaduais. Agora, a candidatura de Eduardo já foi retirada. Para um político pernambucano, não tem jeito: o escândalo chegou aos grotões. Ficou um estigma muito grande.

Já o deputado Roberto Brant (PFL-MG) avisa que não renunciará, mas não vai tentar um novo mandato:

¿ Quem renuncia não quer ser julgado. Quero limpar meu nome. Não estou preocupado mais com o futuro.

O deputado José Roberto Arruda (PFL-DF) renunciou e deu a volta por cima. No processo de cassação do senador Luis Estevão, ele teve acesso à lista de votação secreta e a divulgou, sofrendo, por isso, um processo por quebra de decoro. Optou pela renúncia. Voltou como o deputado federal mais votado do país, proporcionalmente, e é um nome forte para suceder a Joaquim Roriz no governo do Distrito Federal. Arruda, porém, faz uma ressalva: o seu caso não era de corrupção.

¿ Não me arrependo de ter renunciado, pois minha cassação seria política. Mas se estivesse envolvido em corrupção, meu eleitorado não teria me absolvido, eu não teria voltado. Voltei porque assumi meu erro e porque não roubei ¿ diz.