Título: PCDOB E PSB APÓIAM REELEIÇÃO, MAS COM CRÍTICAS
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 15/10/2005, O País, p. 17

Aliados, fiéis na crise, pedem mudanças na política econômica

BRASÍLIA. Tradicionais aliados do PT, o PCdoB e o PSB se mantiveram fiéis ao governo Lula, apesar da crise. Mas o apoio à reeleição deve escancarar divergências de rumo e desencadear pressões por mudanças na política econômica e por um programa voltado para o desenvolvimento. O primeiro movimento nesse sentido ocorreu anteontem em São Paulo, quando representantes dos três partidos divulgaram manifesto pedindo a redução da taxa de juros.

Numa reunião ministerial em dezembro, o então ministro Eduardo Campos, hoje deputado do PSB, disse a Lula que, para concorrer a um novo mandato, ele precisaria mostrar ao país mais do que estatísticas que comprovassem a estabilidade da economia. Propôs a apresentação de uma nova Carta aos Brasileiros ¿ proposta que será reiterada na hora de negociar as alianças do próximo ano.

A Carta aos Brasileiros, de 2002, era voltada ao mercado financeiro e tinha o compromisso do candidato Lula com as diretrizes em vigor, afastando temores de rompimento ou de calote da dívida. Campos acredita que Lula deve agora falar em desenvolvimento, crescimento, emprego e políticas sociais. Não de estatísticas. Ele lembra que nenhum presidente passou à História por questões econômicas, mas por deixar marcas como o desenvolvimentismo de JK.

¿ O apoio do PSB não é incondicional. Em 2002, veio no segundo turno. Temos opiniões críticas sobre pontos da política econômica e da visão de desenvolvimento. Não significa deixar Lula à deriva, mas não estamos 100% de acordo ¿ afirma o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo.

Para o PCdoB, apoio a Lula é estratégico

As resoluções políticas que serão debatidas no Congresso do PCdoB, semana que vem, mostram que o apoio a Lula é estratégico para o partido, apesar de críticas à política econômica e às alianças formadas no Congresso para obter maioria de votos. O PCdoB prega o fortalecimento de um núcleo de esquerda, com PT e PSB.

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, lista três pontos para discussão no encontro do partido: primeiro, o que chama de repactuação, para renovar o interesse do país por mudanças; segundo, justamente o esforço para recompor uma aliança de esquerda; e a escolha do candidato a presidente que, afirma Rabelo, é a conseqüência desses processos.

¿ A política econômica deve ser redirecionada. Mas a mudança não é um ato de vontade. Sabemos que há uma luta de interesses e os que ganham muito com o atual modelo, concentrador de renda, não querem mudar ¿ analisa Rabelo. ¿ É preciso redirecionar recursos para essa repactuação, com juros e metas de superávit mais baixos.